quarta-feira, julho 12, 2006

Primeiro post: Top Cat
















Hoje, por volta das 23h, estarei neste programa, na Sic Radical. De óculos vermelhos e pêlo branquinho...

terça-feira, julho 11, 2006

Alguém que me leve ao colo...















Estou de rastos.
Depois de ter passado uma semana com uma bola de pêlo entalada na guela, finalmente consegui cuspir tudo o que tinha dentro de mim. Foi uma cuspidela olímpica que, felizmente, ninguém presenciou. Agora sinto-me muito mais leve. O stress que me fez ganhar ontem dois jogos de dardos a um grupo de felinos da "alta roda" (tomem lá, bichanos!) foi completamente dissipado pela simples percepção da minha falta de intensidade anímica quando sou confrontado com um desafio que não sei ganhar à primeira.
Sinceramente, sou daqueles gatos que tem dificuldade em reagir com veemência a certas adversidades do quotidiano. À minha consciência falta experiência empírica. Estando preparado ou tendo passado por situações semelhantes sou dono e senhor do momento. Ao ser apanhado de surpresa, quer seja por um acto violento ou por um comentário cínico, sou um cubo de gelo sem reacção nem resposta pronta. Tudo por causa da barreira que me coloca instintivamente no lugar de quem me desafia e me impede de o partir em dois. E quando isso se aplica ao meio profissional essa reação é ainda mais condicionada pelo facto de saber que tenho de ver essa pessoa todos os dias e que, eventualmente, ela até tem poder suficiente para tornar a minha vida num stress constante.
Aprender é difícil, principalmente quando não temos ninguém para nos ensinar. Aprendemos sozinhos quando caímos, quando levamos pancada dos gatos mais velhos, quando sofremos uma rejeição. Mas só aprendemos se estivermos dispostos a aprender. Senão, havermos de levar pancada dos gatos mais velhos até sermos o gato mais velho... se o chegarmos a ser. Por isso, este foi um despertar de consciência. Um despertar como aquele que aconteceu a um certo indivíduo que eu agora não me recordo...

segunda-feira, julho 10, 2006

É o existencialismo, estúpido!















Quando páro para pensar fico sempre mal na fotografia.
(A mulher? Não sei quem é... nunca sei.)

quinta-feira, julho 06, 2006

O sentido da vida... para quem tem sete vidas!
















Para quem é gato, meio exemplo basta: Apesar de gostarmos de nos estender ao Sol em telhados de zinco, depressa chega o momento em que o zinco começa a queimar. Nesse momento o prazer transforma-se em dor e começamos a pensar se um pouco de sombra não será melhor opção.
Esta analogia serve para reflectir sobre o meu próprio lugar ao Sol. Sei que neste momento é muito complicado arranjar um bom lugar, com boa exposição, confortável e com algumas mordomias, mas segundo as leis felinas, quando um gato está mal, muda-se. Ainda não tomei a decisão de mudar de sítio, mas sem dúvida que aquele relvado, lá em baixo, de sombra e erva fresquinha, parece-me um paraíso comparado com este pedestal cinzento e atroz.
"Muda de vida", dizia o António. "Não sejas o amigo do Rei da Selva, sê o Rei da Selva", diz um estudioso de quatro patas. Penso em gastar uma das minhas vidas neste jogo de gatos e ratos. Mas e depois, como será a passagem de vida...?

segunda-feira, julho 03, 2006

A sina dos penaltis














Se eu fiz mal a alguém ao longo da minha vida, peço desculpa. Mas eu não mereço sofrer assim! VAMOS PORTUGAL!

segunda-feira, junho 12, 2006

Ainda não foi desta...












Uma vasta gama de camiões Volvo, equipados com potentes motores de 13 litros e 9 litros, com sistema de mudanças inteligente I-Shift e propulsão híbrida I-Sam, tentou atropelar-me... mas ainda não foi desta!

Talvez o Acqua Roma consiga com a sua onda de amor na avenida... foda-se!

terça-feira, abril 18, 2006

Homem: animal em extinção
















Há uns dias atrás li no jornal "Metro" que 80% das mulheres portuguesas dizem que o seu MAIOR prazer é comprar roupa. A nível internacional a média fica nos 55%, mas ainda assim é significativo.

Isto quer dizer que uma mulher prefere ver uma roupa sem homem do que um homem sem roupa; que se uma mulher for a passear na rua, mais depressa repara num homem a gritar "saldos" do que num homem todo nu em meia ponta.

Às vezes torna-se agradável pensar como um homem.

quinta-feira, março 23, 2006

Blackjack!

Convenhamos: a luta livre é para ser gozada! E quanto melhor for gozada mais se demonstra a sua verdadeira essência. Digo isto porque sou fã de luta livre há muitos anos e sei exactamente o que a luta livre pretende representar (falo obviamente da luta livre de entretenimento e não da luta greco-romana, apesar de haver uma ligação subjacente entre elas no que respeita a algumas técnicas usadas em combate). Tanto a luta livre americana como a luta livre mexicana (focada neste filme) têm a capacidade de criar super-heróis reais. Com base em argumentos escritos, lutas combinadas, personagens esteriotipadas, roupas vistosas mas, principalmente, através das capacidades dos atletas para criar movimentos onde arriscam a própria vida (e em que alguns já a perderam), criam enredos por vezes tão complexos que mesmo nós, os que já vemos aquilo há demasiado tempo, voltamos a acreditar. É como se fosse uma novela de acção em que todas as questões dramáticas se resolvem num ringue. E tudo se contrói no sentido desse duelo final onde as emoções explodem!

No caso da luta livre mexicana, os heróis de luta livre são ainda mais emblemáticos porque recorrem a máscaras (tão caraterísticas das antigas civilizações da América do Sul) que enfatizam o lado misterioso, mágico e até mesmo "divino" dos atletas, deixando de ser meras pessoas para se tornarem deuses aos olhos dos espectadores (que assim não sabem que, na realidade, o atleta que tanto admiram e que faz acrobacias incríveis, pode ser o padeiro da loja da esquina - já que, no México, o que os lutadores ganham não é muito dinheiro (como na América), mas sim muito respeito e admiração).
Assim, é com o coração quentinho que olho para o cartaz e para o trailer do filme e me rio a bandeiras despregadas, com admiração e encantamento por este mundo que, definitivamente, não é para todos. E apesar de não ser o primeiro filme sobre luta livre é, sem dúvida, o que tem o melhor "lutador": Jack Black!

NAAACCCCHHHHHOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!












Para ver o trailer, batam aqui!

segunda-feira, março 20, 2006

Debaixo dos...



















Normalmente, as autobiografias (ficcionadas ou não) chateiam-me. Há qualquer coisa na palavra "auto" que me bloqueia a vontade de ler a biografia. Parece que algo ja está minado à partida e que o autor ou vai evidenciar as suas qualidades para parecer mais capaz do que realmente é, ou vai evidenciar os seus defeitos para produzir o efeito mártir que o consagrará como um herói.
Neste caso, apesar de suspeitar que esta história iria ser mais uma daquelas lamechisses pegadas de tentar arrancar lágrimas à força, decidi comprar o livro, não só pela sua qualidade gráfica, mas pelo interesse inédito que a minha namorada demonstrou por um livro de BD (a importância de partilhar um prazer com a pessoa que amamos é sempre superior a qualquer filosofia). E como devia ser regra em todos os belos gestos que fazemos na vida, este revelou-se compensador.
Depois de ler as mais de 500 páginas "autobiográficas", tenho a dizer que este livro é mesmo bom. Para quem gosta de BD esta graphic novel não é só uma referência em termos técnicos mas principalmente em termos narrativos. E com um sinal à porta que diz: "A lamechisse não entra aqui!". Apesar do autor ainda estar na casa dos 30 anos, esta é uma história privada que vai às profundezas do espírito humano e revela todo o espectro de emoções que definem uma pessoa. Da maldade à amizade, da vergonha à paixão, do medo aterrador ao amor profundo. E realçando esses sentimentos não só pela qualidade das palavras mas também pela qualidade do desenho, como a boa BD deve ser. Desde os traços mais violentos e negros, às forma mais delicadas e quase vazias, este livro é um poço de sentimentos e emoções. E um poço ao qual se consegue ver o fundo, tal é a força da luz.
Este é um retalho de uma vida que ainda vai a meio e que nada tem de extraordinária, mas que devido ao potencial criativo do seu autor e actor principal é um excelente exemplo de "auto"análise, "auto"disciplina e "auto"cumplicidade.
Este é um livro que exige coragem para ser comprado, mas oferece a melhor recompensa que um livro pode dar: um prazer de leitura que permanece na nossa memória, muito depois de virarmos a última página.

sexta-feira, março 17, 2006

Receita da manhã...



















VS










Há dias em que as notícias são tão poucas que tem que se inventar algo para dizer. Hoje, definitivamente, não é um desses dias! Na capa do jornal Destak vem a surpreendente notícia de que a Kate Moss comprou um vibrador revestido a ouro de 24 quilates.

E nós a pensar que a Filipa Vacondeus era maluca!...

quinta-feira, março 16, 2006

A poesia da loucura...




















António Luís Valente Gancho
nasceu em Évora em 1940 e desde os 20 anos que correu várias instituições psiquiátricas. Dizia ser Luiz Vaz de Camões, Bocage, Kafka, Pessoa e todos os escritores que admirava. Dizia ainda que não sabia por que escrevia, que o escritor "só pode ser escritor quando já nasceu escritor" e que "a imaginação é tudo. É ela que deve estar ao comando da inspiração, quero dizer, a inspiraçao deve comandar a imaginação do autor, do escritor, do poeta." (in A Phala, n.º45).

Na minha juventude, quando as ideias e os ideais parecem brotar de cada mudança de tempo, de cada sopro do vento ou de cada nova paixão, pertenci a um grupo de precoces artistas de áreas como o teatro, a dança, a música, a literatura e até mesmo o design, que se auto-intitulavam percursores de um movimento artístico donominado por Dementismo. Exaltavamos a Loucura como ímpeto criativo e chegámos mesmo a criar um Manifesto onde racionalizavamos acerca dessa nossa insanidade. Com tal entusiasmo, realizámos uma apresentação ao vivo das nossas ideias com uma pequena representação que nos encheu o ego mas que acabou por nos devolver à realidade inteligente, causando a separação após concretizado o objectivo e deixando cristalizado no tempo aquele breve momento em que todos julgavamos ser os donos da loucura.
No dia 1 de Janeiro de 2006 faleceu António Gancho, um homem das letras que levou as letras onde elas menos gostam de ser levadas: ao cataclismo da desordem racional. Descobrir este autor, que eu desconhecia até ler um breve artigo sobre ele na revista "Os Meus Livros" (que tem uma característica diferente de todas as outras revistas sobre literatura: evolui), fez-me recordar essa minha breve experiência existencial. No entanto, fez-me também pensar acerca da origem da loucura em si, naquilo que faz de um homem um poeta, um racionalista das letras, mesmo depois de viver quarenta anos embutido na loucura de um hospital, onde todos são loucos até prova do contrário.

quarta-feira, março 15, 2006

Enquanto as novelas se consomem entre si...









Casanova
"A vida do mais notável sedutor de todos os tempos numa fantástica série de época."

Antes de mais tenho de afirmar uma coisa: a série "Bocage", que passou à pouco tempo na RTP 1, foi uma série excelente, com um argumento de grande qualidade e interpretações credíveis de todos os actores, o que me faz ainda ter alguma esperança no futuro da ficção nacional. Depois dos terríveis erros de casting da série "Pedro e Inês", este foi o exemplo de série à qual muitos argumentistas, produtores, actores e realizadores (os realizadores nem tanto...) portugueses devem aspirar, apesar das dificuldades que se sabe existirem no processo de transposição do papel para o ecrã, que interferiram (e muito) na continuidade narrativa da série. Mesmo com o baixo índice de audiências, é sempre bom ficar com aquele gostinho de que, apesar da série ter sido cancelada, fomos dos poucos portugueses que se deliciaram com uma história sobre um heróis português que desafiou meio mundo em verso, em vez de mais uma das muitas ovelhas que só sabe olhar para a televisão e dizer em voz alta "Esse aí é um cafajeste!".

Dito isto, é impressão minha ou "Casanova" é uma das melhores mini-séries que já passou pela televisão portuguesa? Com uma realização surpreendente, um humor desconcertante e um Casanova com um sorriso Maquiavelico, é quase uma maldade mostrar-se isto quando o filme está quase a estrear nas salas de cinema. Uma maldade que vou ter todo o prazer de voltar a acompanhar hoje à noite, às 23h00, na RTP1. Último episódio!

terça-feira, março 14, 2006

A minha BD!












Pela primeira vez, desde que me conheço como blogger, fui desafiado! O meu caro amigo Pedro Passaporte pede-me para definir os 5 principais traços da minha personalidade enquanto leitor de Comics. Ainda assim, escolho não só dizer como me analiso enquanto leitor de comics, mas também enquanto apaixonado e colaborador nesse magnífico e complexo mundo de arte e comunicação.

1) Desde muito cedo que o mundo das imagens me fascinou. Apesar de nunca ter descoberto em mim a vocação para o desenho ou para qualquer outra vertente artística de carácter visual, sempre fui muito sensível à beleza estética das formas, das cores e da luz. Seduzido pelo grafismo, depressa me iniciei na leitura de histórias ilustradas e, possivelmente, foi essa preferência que facilitou a minha entrada no mundo da banda desenhada. Os meus primeiros livros começaram por ser aqueles herdados dos meus familiares, como o Tintin e o Asterix. Como mais tarde me apercebo, essas histórias serviram não só para desenvolver o meu prazer pela leitura, mas principalmente para me mostrar conceitos que, possivelmente, e devido à minha história familiar, nunca teria conseguido apreender através dos meus pais ou professores. Cada vez que se lê uma história aprende-se qualquer coisa nova, quer seja devido à nossa idade, quer seja por já termos no nosso consciente informação que não tínhamos quando lemos a história pela primeira vez. Mas ainda assim, acredito na educação do nosso inconsciente, e mesmo que nessas primeiras vezes não tenha compreendido tudo o que estava descrito, sei que desenvolvi uma parte importante da minha consciência.

2) Com dez anos de idade, quando passava férias no Algarve, um primo meu deu-me todos os livros de banda desenhada que tinha porque ia mudar de casa e não os queria levar. Foi o meu primeiro contacto com livros de super-heróis. Ele era um grande fã do Capitão América, do Homem-Aranha e do Hulk, e os livros eram as versões brasileiras da Panini que tanto inspiraram toda uma geração nos desvairados anos 80. Fiquei completamente embevecido com aquelas histórias. O que mais me emocionava era que aquelas não eram pessoas que faziam coisas maravilhosas porque eram mágicos ou porque tinham grandes armas, mas sim personagens que tinham sofrido acidentes, que suportavam nas costas uma benção que ao mesmo tempo era uma maldição (uma máxima que desde sempre caracterizou as criações das personagens da Marvel). O exemplo mais acabado dessa máxima era o Homem-Aranha. Já com os dois pés na minha juventude, era importante ver que o Peter Parker tinha problemas com os quais eu me podia identificar. Foi nessa altura da minha vida que um amigo me disse que havia uma loja em Lisboa que vendia comics originais, importados dos E.U.A.. Era uma loja que ficava escondida num centro comercial sinistro, perto do largo do Calvário. Comecei a fazer peregrinações religiosas a esse santuário e a deliciar-me com a quantidade de imaginação que emergia de todas aquelas capas coloridas. Para além disso, o dono da loja era um "monstro" esquisito, cheio de tatuagens e brincos, que falava eloquentemente sobre cada livro, cada autor, cada tema ou cada história, como se aquelas revistas fininhas fossem pequenos tesouros que escondiam maravilhas. E eram.

3) Fui-me apaixonando cada vez mais pela arte (tanto visual como literária) daquele meio tão complexo e, estando já no agrupamento de artes da escola secundária do Lumiar, conheci pessoas que me foram apresentando outras vertentes da BD que eu desconhecia. A BD underground americana, europeia e japonesa foram novas descobertas que me incentivaram ainda mais a descodificar a complexidade desta forma de arte. Foi quando comecei a comprar avidamente livros sobre o ofício da banda desenhada. A partir desse momento, não só comecei a ler BD de forma diferente, como decidi começar a escrever argumentos.

4) Já quando estava na faculdade, e com início do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, decidi começar a participar nos concursos (juntamente com o meu grande amigo e exímio ilustrador, Kimosabe), ganhando finalmente uma Menção Honrosa à segunda ou terceira tentativa. Essa singela distinção deu-me o privilégio de ser contactado pelo editor de BD da revista "Os Fazedores de Letras" para um workshop de BD no FIBDA do ano seguinte. Depois de algumas demonstrações improvisadas na altura, fui convidado a escrever histórias para essa publicação da Faculdade de Letras. Assim, passados alguns anos, orgulho-me de ter três histórias publicadas e de ter participado no nº 0 (de lançamento) da revista "Blast" com outra história (agora com desenhos do Ricardo Cabral. Por falar nisso, o nº1 da revista agora denominada "Blazt" já saiu. Como todos os novos projectos, é uma edição cheia de entusiasmo e, para além de uma história curta mas emocionante do próprio Ricardo Cabral, conta com a participação dos vencedores do FIDBA do ano passado.) Há um ano atrás, participei no excelente curso de Argumento para Banda Desenhada, Ilustração e Animação 2D e 3D do CITEN (Centro de Arte Moderna da Gulbenkian) e fiquei ainda mais imerso nas imensas possibilidades que a BD apresenta, e surpreendido com a sua ligação com o mundo do cinema de animação. A fantasia não tem fim.

5) Agora, desde que trabalho (como redactor publicitário) não tenho tido muito tempo para escrever histórias, mas continuo a tê-las na gaveta. Quanto à leitura de BD, depois de um período em que o dinheiro escasseava, voltei a ter possibilidade de adquirir as fininhas revistas mensais (sim, Pedro, também prefiro as fininhas. Os TPB anulam o impasse do suspense até à chegada do número seguinte). Voltei a apaixonar-me pelas infinitas possibilidades desta realidade que, levada ao extremo, possibilita tudo, e onde a felicidade pode estar escondida no breve espaço entre duas vinhetas.


Era comic a minha corrente continuar por aqui:

Salmão

Refugado com cebola mol

Crescer com ajuda

Leitura em espelho

Uma lenda ao quadrado

De férias...

Pois é. Estive de férias. Depois de um discurso inflamado sobre a periocidade de um blog, eis que permaneço fora do âmbito virtual durante uma quinzena de dias. Mas, ainda assim, sinto-me satisfeito, relaxado, cheio de energia para recomeçar a trabalhar e feliz por ter passado uns belos dias aqui...















... mentira, foi aqui!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Apeteceu-me escrever...

Um blog é como um bloco de notas que se vai preenchendo ao sabor do desejo de escrever. Com um tema, vários temas ou nenhum tema em especial, é um local onde se libertam as ideias à medida que vão elas surgindo. E daí, talvez não.
Costumo consultar blogs diários, que falam de assuntos específicos, obrigando os seus "fornecedores de conteúdo" a debruçarem-se sobre questões profundas e a desenvolverem extensos textos de notícia e análise. Outros são mais relevantes pela ligeireza e simplicidade da escrita, pelo pensamento livre e mundano, mas ainda assim atento à realidade, incisivo, aberto, muitas vezes ideológico, por vezes até mesmo revolucionário. Outros ainda singram pela beleza, pela efemeridade, pela alegria ou até mesmo pela pura magia.
Sendo assim, afirmo que este não é um blog regular. Não é actualizado todos os dias, os temas não são pertinentes, a forma de escrita não é sempre igual, nem sequer há uma referência contante ou mesmo interesse pelas notícias nacionais ou internacionais. Considero este um blog mental e, como a mente, não tem consistência. Os textos e as imagens que aqui publico não fazem parte de uma apetência recalcada para o ofício jornalístico, analítico, crítico ou paralítico. Aqui o que conta é a vontade, a vontade de escrever ou não escrever, de mostrar ou não mostrar, de entender ou não entender, de reagir ou de fugir, de postar ou apostar.

Agradeço a todos os que visitam este blog e principalmente aos que partilham comigo o seu comentário, porque esse sim, é o intuito de um blog: partilhar ideias.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Última hora...









É oficial: Portugal continua imune à gripe das aves! Grande vôo!

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Romântico...















O Pesadelo, 1781, Henry Fuseli.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Primeiro estranha-se...

"Estranho é um programa sério, que o seu autor, Miguel Matias, entende que "até será main-stream, mas que é estranho". Os argumentos dos 13 episódios "sofrem sempre um twist final", porque o objectivo passa por tentar captar a atenção até ao fim, já que "as coisas estranhas acontecem sempre antes das más". O elenco é de luxo e inclui nomes como Rogério Samora, Diogo Infante, Rui Unas, Teresa Tavares, Kjertsi Kaasa, Rita Andrade e Solange F.
Na Sic Radical, Estranho, "a série", passa às quartas-feiras, às 23.25."

Para além de uma excelente realização e sonorização, as interpretação não soam só bem pelos nomes, são realmente boas. As estórias são simples (umas mais simples que outras) e por vezes não têm mais de 15 minutos de duração. No entanto, conseguem mesmo prender a nossa atenção, apesar do twist final às vezes não ser tão compensador como possamos pensar à partida. Como mais valia, há ainda um grande sentido de erotismo latente, sempre essencial em estórias de terror.

Não sendo uma lufada de ar fresco no panorama da ficção nacional, é a lufada de ar podre que já fazia falta às minhas noites de quarta-feira. Estranho?

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Feliz dia pós-dia dos namorados



















Feliz o dia em que um beijo não se compra.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Talvez












O que faz um beijo na minha almofada? Tinha-a guardado para a altura certa, para quanto ELA viesse cá a casa, dormir comigo, só dormir, nada mais. Agora vejo que tem um beijo. Pintado de vermelho, como se fosse sangue e não baton. Um vermelho bem vivo, entranhado no tecido. Assim já não a posso usar quando ELA me vier visitar. Tiro-lhe a fronha e ponho-a para lavar. A meio da actividade a máquina dá o berro e começa a cuspir água. Vá de lavar à mão, à moda antiga, com uma barra de sabão. O vermelho custa a sair. O branco tingido vai ficando cor-de-rosa. O rosa alastra-se. As mãos ganham cor. A campainha toca. Era hoje que ELA vinha. O rosa chega-me à face. O ralo borbulha com o escorrer da água. A espuma permanece na bancada da cozinha, como se pertencesse à mobília. Com a fronha corada entre os dedos vou salpicando o chão inundado. Desfaço-me em água junto à porta de entrada. A campainha volta a tocar. É ELA, é ELA, tenho que me despachar. Laço a fronha no estendal. Uma bandeira cor-de-rosa à janela é sinal que lá vem ELA. Limpo as mãos à roupa que também ganha outro tom. Puxo o cabelo para trás. Vejo se o hálito está bom. Cheira a sabão e água raz. Desço as fronhas da camisa e coloco um sorriso sobre a gravata desalinhada. É agora, o tudo ou nada. Destranco a porta com duas voltas e meia. Os trincos giram sobre si até que o monstro blindado se liberta da tensão. Faço o movimento de abertura para mim mas a porta fica presa no chão. O meu sorriso descai ligeiramente, perturbado com a pouca fluência do gesto. ELA do outro lado à espera da minha insistência. Asseguro-lhe que tudo está bem, conforme estava planeado. Transpirando, oiço os saltos dos seus sapatos por todo o lado. Deve estar farta de esperar. Arregaço novamente as mangas para um último gesto de força. Os meus dedos enrugados da água colam-se ao objecto emadeirado. Força, força, penso eu, lembra-te do que está combinado. Finalmente a porta cede, mas abre com tanta força que não evito ficar entalado. Caio no chão, completamente estafado. ELA entra, muito recta, com os seus saltos bem altos. Os meus olhos nem acreditam. Sigo o torneado das pernas, subo a anca e as costas. Perco-me no desenho do pescoço até me deixar apanhar pelos ganchos do cabelo. ELA nunca pára. Segue sempre direita ao quarto. Levanto-me, ainda cambaleante. Levo as mãos à cabeça para tentar ficar equilibrado. Tento manter-me erguido mais do que alguns segundos mas as minhas pernas fraquejam. Volto a cair para o lado. Desta vez permaneço sentado. Talvez amanhã consiga chegar até ELA.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Petit mort



















"Um terço das mulheres finge o orgasmo", vinha hoje num destaque do jornal METRO.
Segundo um estudo da Sociedade Portuguesa de Andrologia e dos Laboratórios Pfizer, 32% das mulheres admite não atingir o orgasmo. Uma das ginecologiastas responsáveis diz ainda que "depois de quatro anos, o número de relações nos casais diminui, quer pela rotina, quer pelo stress e, como tal, as fantasias sexuais são fundamentais, porque 80% da sexualidade é mental".
Isto faz-me lembrar uma das frases mais emblemáticas de Leonardo Da Vinci: "a arte é uma coisa mental".

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Descasamentar



















Como todos nós sabemos, a mulher ideal é aquela que tem uma costela a menos.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Mau é.



































































Mau é não haver respeito por aquilo que não percebemos.
Mau é não ter noção de que nem todas as civilizações são tão tolerantes à ridicularização como a nossa.
Mau é que se quebre uma regra tão básica como a de desrespeitar a liberdade alheia e depois exigir que se repeite a nossa.
Mau é gritar pela liberdade de expressão e não saber lidar com a liberdade dos gritos de expressão.
Mau é queixarmo-nos que uns simples desenhos xenófobos que condenam toda uma civilização se podem transformar em incêndios de embaixadas.
Mau é ter um péssimo timing.
Mau é estarmos já numa geração que não conheceu o terror da última grande guerra e que espera ansiosamente por outra de tanto ou mais impacto que marque a sua existência.
Mau é eu poder começar uma guerra por publicar estas imagens. Outras houve que começaram por muito menos...

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Faleceu Seth Fisher



















Não costumo reagir a notícias destas com esta emoção. Primeiro porque a pessoa é, na minha realidade, uma mera figura platónica. Segundo porque é alguém que nunca vi e que apenas conheci através dos seus trabalhos. E terceiro porque, apesar de apreciar, nunca acompanhei com grande atenção o seu percurso como artista. No entanto, não posso deixar de me sentir angustiado por saber que alguém com pouco mais de 30 anos de idade e este talento morre repentinamente sem razão aparente.
A sua capacidade gráfica era incrivelmente diferente e complexa, e só uma mente diferente e complexa poderia chegar a este nível de imaginário distorcido, detalhado e incrivelmente delicioso.
Aqui fica a minha homenagem a um homem que nunca conheci, não pelo ímpeto de "dizer bem do artista agora que já está morto", mas porque este artista não viveu tempo suficiente para que se fizessem todas as homenagens.


quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Nervos















A porta da rua custa a abrir.
As luvas nas mãos transpiradas escorregam na maçaneta polida e puxam o lustro ao objecto redondo banhado a ouro. Estou demasiado entusiasmado para perder tempo com objectos inanimados.
Seguro a peça esférica com as duas mãos e cerro os dentes. A porta permanece imóvel. Através do vidro vejo que neva lá fora. Nunca nevara nesta altura, nesta cidade. As ruas inundadas de pessoas que parecem agradecer aos céus mais esta dádiva, que apenas faz frio. A porta agita-se com uma bola de neve que embate junto à fechadura, ressaltando pequenos flocos brancos para as minhas botas negras. Foi o pequeno Tomás da casa em frente. Ele e o seu irmão mais novo riem como nunca os vi rir num dia de sol. O interior da fechadura começa a derreter e a água escorre pela pintura que já estalara de manhã. Terei de dar outra demão. Aperto as mãos com mais força e ralho com a maçaneta. Uma das unhas crava-se no dedo mindinho oposto. Ouvem-se gargalhadas vindas da rua. O sol parece reaparecer. O meu cachecol começa a ficar desconfortável com a transpiração que cai do cabelo encafuado no gorro feito à mão pela minha tia-avó num feriado nacional há quase dez anos. O sol sai forte por detrás das nuvens e começa a transformar os amontoados de neve em pequenos rios que escorrem para as sarjetas. Possuído pela cólera, pego no trenó do meu filho e lanço-o contra a merda da porta. Oiço um estalo e vejo que foi o trenó que se partiu. A porta permanece fechada. Sento-me no chão e choro. O sol já vai alto. A neve já não existe. As pessoas voltaram para casa e os carros voltaram para a rua. O meu filho vem ter comigo. Digo-lhe que esteve a nevar enquanto ele esteve a dormir. Queria-lhe fazer uma surpresa. Levá-lo a ver a neve que ele nunca viu. Deslizar no branco vindo do céu. Mas que agora já não há. Que agora só há água porque o sol já derreteu. Ele olha para mim em silêncio. Nos seus olhos começa a chover. Desliga o olhar e foge de mim a correr. Vai a gritar para os braços da mãe. Permaneço no chão junto à porta morta. Um trenó partido. Uma porta fechada. Um par de luvas húmidas. Um filho ausente… e uma unha encravada.
Odeio o Inverno.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Descomprimido










Depois de uma semana de stress intenso, actividade cerebral ao máximo e noites mal dormidas, espero ter um fim de semana para descomprimir...











Bem-hajas, Tsubasa!

quarta-feira, janeiro 25, 2006














Guardo as minhas memórias num sapato velho, como se de um pé-de-meia se tratasse.

quinta-feira, janeiro 19, 2006




















Onde estás tu, Tsubasa?

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Despropositado

Juro que não foi de propósito.
Hoje, às 18h43 coloquei a palavra "Maravilha" no motor de busca do Google e esta foi a primeira imagem que apareceu...























...Esta foi a segunda.

terça-feira, janeiro 10, 2006

Totalitarismo















Hoje aprendi uma lição valiosa:
Tudo o que queremos existe. Só que nem sempre temos dinheiro suficiente...

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Fnac-ismos









































































A Fnac tem destas coisas. Umas vezes faz-nos sentir mal por nos "obrigar" a comprar mais do que devemos, outras vezes proporciona-nos o contacto com produtos de uma qualidade e relevância quase assustadoras. Nesses momentos, pesa-nos a consciência ao recordarmos as nossas próprias vociferações activistas contra o consumismo abrupto e irracional do povo em geral.
Ainda assim, não se pode resistir a tudo, sob a ameaça imperdoável da estagnação intelectual.
Esta colectânea de livros de BD + 2 CDs sobre artistas de Jazz, fez-me renascer não só como apreciador da nona arte (e de artistas que até então desconhecia), mas também como melómano inveterado. A forma como as músicas estão dispostas por cada CD e a qualidade das pequenas estórias (algumas melhores que outras, como em tudo, mas ainda assim de altíssimo nível conceptual e narrativo), fazem destes livros itens da maior relevância cultural. Apesar do Jazz ser originário dos E.U.A. e dos músicos homenageados serem todos americanos, as versões originais das BDs são em francês , desenhadas e escritas por artistas franceses (daí a relevância da Fnac).
No entanto, há pouco tempo, esta mesma colecção saiu com o DN, já traduzida e com algumas estórias escritas e desenhadas por artistas portugueses.

Recentemente, saiu ainda um número extra, também com o DN, com músicas escolhidas por Woody Allen. São músicas que o realizador utilizou em alguns dos seus filmes e que o acompanham nos seus momentos de inspiração. Tal como os outros livros, este também traz uma pequena estória sobre o músico, actor, realizador, escritor, etc.

Para apreciadores de música, literatura e arte em geral.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Taxista













"Estás a falar comigo?" - disse o homem que guiava o taxi que hoje bateu contra a camioneta que me vinha trazer a Lisboa.

O protagonista deste filme não era taxista por acaso...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Politiquices


















Aquilo que eu mais adoro no mundo das eleições políticas são os vencedores por antecipação. Imagino-me no lugar de um político que leva uma vantagem confortável nas sondagens e apetece-me logo ir beijar alguém para o mercado do Bulhão. Julgo ser até mais confortável do que estar no próprio poder. Ganhar sem levar a taça é, sem dúvida, a forma de vida idílica para qualquer político. E porquê? Porque quando já ganhámos mas ainda não mexemos uma palha, ninguém nos pode criticar. A vitória é-nos garantida por antecipação, não pelo nosso prestígio mas por ideias fabricadas pelos meios de comunicação e aperfeiçamento da famosa técnica do "faz merda depois esconde-se durante uns anitos", "reaparece a dizer mal de tudo e toda a gente bate palminhas".
Finalmente, ao ganhármos as eleições, ficamos sozinhos no poder. A partir daí já todos nos podem criticar porque, como o povo diz, quem está lá em cima tem de cair. Mesmo que façamos grandes obras, tentemos reformular o que está mal, nunca conseguiremos viver sem críticas porque haverá sempre alguém a querer mais, a dizer que não chega, a dizer que os políticos não prestam, que tanto faz ser de um partido como do outro, que é tudo igual e que deviam ser todos encenerados nas enceneradoras em vez dos resíduos químicos.
Ser político é sempre injusto, excepto nas eleições. O seu ideal de vida é como a de um Rei num jogo de xadrez: pode ganhar ou perder, mas nunca é comido.