quinta-feira, maio 20, 2010

Kabuki (ou o teatro de viver)...


Este livro mudou a minha vida. Mas não foi só a minha. Também mudou a vida do autor e, a julgar pelas cartas transcritas no final do volume, mudou a vida de muita gente um pouco por todo o mundo. Nestas últimas semanas, a influência deste profundo, belo e emocionante "teatro" de palavras e imagens fez com que estivesse para aqui a fazer extensas reflecções sobre o que é a vida, o que é a morte, o que é a arte e até sobre o que é um salto de pára-quedas. Dava por mim a reflectir sobre estas e outras questões, sem me aperceber da enorme influência que este livro estava a ter sobre mim. Mas agora que cheguei ao fim e revi o que tinha lido através das palavras dos outros leitores, concluí que nunca nenhum livro me tinha feito ver a vida como este fez, nem analizá-la de forma tão profunda e tão... real. Mesmo lendo aos bocadinhos, em altas horas da noite, com os olhos já quase revirados, consegui absorver o seu conteúdo e reflectir sobre ele. Fala-se em filosofias, teorias, biografias, grafias, magias, alquimias, verdades e mentiras, sempre com uma humanidade e uma subtileza que desafiam qualquer pensador, qualquer curioso. Uma troca de cartas anónimas, que servem para reforçar a hiper-teatralidade das personagens, são a base para se falar da realidade que usurpa qualquer um de nós em determinado ponto da nossa vida. Nada fica por dizer nesta história, mas fica muito mais por querer saber.
Por curiosidade, escrevi o post "Ligar os pontos" dias antes de chegar ao capítulo intitulado "Connecting the dots", onde surge esta página:

Este é o sétimo volume da colecção "Kabuki", do artista e escritor americano David Mack. Esta é a colecção que tem dado à BD a capacidade de ser mais do que apenas histórias aos quadradinhos. Esta é a revolução artística e conceptual que tem revolucionado a linguagem dos Comics e contribuído para enraizar neste meio de comunicação artístico aquilo que faz parte de qualquer obra superior: alma.
Aconselhado a todos aqueles que apreciam a beleza, em todas as suas formas e sentidos.

quarta-feira, maio 19, 2010

Antes de dar o salto...


"O céu não é o limite, é o princípio."

terça-feira, maio 18, 2010

Come fly with me...


Se a vida fosse um puzzle, cada peça seria uma experiência e os espaços entre as peças seriam os momentos em que reflectimos, em que dormimos, em que sonhamos. São esses momentos de quietude que nos permitem conjugar as experiências por que passamos na nossa mente e as fazem permanecer na nossa memória ou serem lançadas no esquecimento.
Quando nos falam em viver a vida ao máximo, agarrar todas as oportunidades, "aproveitar o momento", é isso que estão a tentar dizer-nos: construam o puzzle da vossa vida. Porque mesmo que nunca cheguemos à imagem completa, quanto mais peças tivermos, mais conseguiremos perceber o que realmente estamos aqui a fazer e teremos aproveitado intensamente o privilégio de viver. E quantas mais peças juntarmos, mais teremos acesso a novas peças, porque umas dão passagem para outras, seja uma experiência radical, uma viagem, uma nova carreira, um novo sonho, uma nova amizade, uma nova paixão, um novo amor, etc. A única regra é nunca prejudicar os puzzles dos outros. E se os pudermos encaixar no nosso, mais inteira ficará a nossa vida.
Eu não tenho uma "bucket list" mas quando vi este filme (entre muitos outros que falavam na teoria do "seize the moment") lembrei-me do meu futuro. O que seria de mim num lar, sem forças para me levantar e a pensar no que não fiz? O que seria de mim se olhasse para trás antes de "kick the bucket" e visse que houve oportunidades que não aproveitei por medo, por vergonha, por ignorância, por incompetência ou, pior do que tudo, por perguiça? O que seria de nós se nunca arriscássemos, se nunca quisessemos espreitar para lá do cenário que nos foi montado, como no "truman show"? Não digo que, de repente, deixemos tudo para trás e passemos a ser inconsequentes, só porque temos de experimentar tudo. Não é assim que se constrói um puzzle. Assim só teríamos peças soltas. Mas por vezes é preciso sair do conforto, da estagnação e da rotina que nos tornam indolentes à mudança, aos desafios, à loucura enquanto forma de quebrar as regras.
Ao longo da minha vida ouvi histórias de anciãos que se limitaram a viver a vida que lhes calhou na rifa. Que nunca puseram o pé fora da linha. Também há quem não ache isso necessário, quem se contente em seguir o caminho já traçado, o seu "destino". A lei da compensação também se aplica aqui. Mas há quem siga os exemplos e há quem aprenda com eles. Assim como há filhos que saem aos pais, há filhos que se rebelam dos pais. É também por isso que não há definição para uma educação correcta. Depende sempre de quem educa e de quem aprende. O filho de um pai alcoólico e violento pode tornar-se num psicólogo especializado nestes casos devido à sua experiência, assim como um filho de uma família rica e cheia de etiquetas se pode vir a tornar num rebelde delinquente por ter sido reprimido ao longo da sua vida toda. E assim como não há regras para a vida (nunca se sabe quando um acidente pode acabar com ela), não deveria haver regras para como devemos vivê-la. Apenas formas de vida. Assim como existem tons de cores, não apenas preto e branco.
Foi nisto tudo que pensei quando resolvi saltar de um avião a 4000m de altura. Foi nisto tudo que pensei quando vi o abismo a devorar os meus olhos e os meus ouvidos. Foi nisto tudo que pensei enquanto pairava no ar, pendurado um pára-quedas, com as virilhas em extremo aperto. Foi nisto tudo que pensei quando aterrei num terreno verdejante e percebi que tinha mais uma peça para colocar no meu puzzle...
Fly? Check!

sexta-feira, maio 14, 2010

Morrer antes de morrer...


Soube hoje que Frank Frazetta morreu anteontem. Mais do que o homem, conhecia a obra. E a obra era sobretudo sobre a morte. Os mensageiros da morte. O seu traço era inconfundível e inspirou várias gerações de artistas ao longo dos anos e em vários cantos do mundo. Era um apaixonado pela Idade Média (Dark Ages). Desenhava sobretudo homens brutos e mulheres voluptuosas. Os mensageiros da morte. A sua arte deambulava num mundo onde a morte vivia. Desde os cenários aos personagens, passando pelas linhas rasuradas e as cores sombrias. A sua peça mais conhecida era a de um homem a cavalo, com um machado erguido, parado no cimo de um monte e rodeado de abutres. O título: Death Dealer.
No passado dia 10 esta deve ter sido a última imagem que passou diante dos seus olhos. Frank Frazzeta morreu, mas suspeito que tenha morrido a sorrir...

quarta-feira, maio 12, 2010

(Iron) Man...


A Marvel a fazer aquilo que faz melhor: mais do que atribuir super-poderes a humanos, atribui humanidade aos super-heróis.
Muito bom! E esperem pelo fim dos créditos...

segunda-feira, maio 10, 2010

9, ou a importância de ser 1


Sexta-feira fui ver o filme "9". Este poderia ser apenas mais um filme de animação, não fosse a história que esteve na sua origem. "9" foi o título de uma curta-metragem realizada por Shane Acker, como projecto do seu curso de cimema (pode ser vista aqui). Depois de ganhar vários prémios académicos e ter sido colocada no youtube, esta curta metragem chamou a atenção de Tim Burton, que acabou por fazer uma proposta ao jovem Acker para realizar uma longa metragem baseada naquela sua pequena história, tendo Tim Burton como produtor. E foi assim que o filme "9" se concretizou. Um sonho de um puto tornado realidade por um génio.
Ainda enleado nos pensamentos que deram origem ao post anterior, fui ver o filme apenas com a memória da curta-metragem que tinha visto há quase 5 anos. Sabia que havia algo de especial naquele universo, mas não quis ler nada nem ver nada que me pudesse estragar a surpresa. Prefiro sempre ler as críticas aos filmes depois de os ver. Não gosto de ir ver algo com a minha visão condicionada pelas visões dos outros, seja um filme, uma peça ou outra apresentação artística qualquer. A arte implica uma leitura pessoal e toca a cada um de nós de uma forma diferente, porque a nossa leitura baseia-se nas nossas próprias experiências e interpretações. O melhor crítico de arte somos nós mesmos, porque a arte não é feita para ter qualidade, é feita para ter simbolismo e emotividade. E desta vez valeu bem a pena!
Primeiro, ao longo de todo o filme questionei-me porque é que o filme se chamava "9" e não se chamava outro número qualquer? Só porque o personagem principal se chama 9? Não poderia ser assim tão óbvio, teria de haver outra razão... Então lembrei-me da música "Cloud nº9" dos Beatles, do 9 ser o último número singular, dos 9 planetas do sistema solar (que agora já são só 8), entre outras pontas soltas que tentei ligar. Mas nenhuma daquelas fazia muito sentido no contexto do filme.
Finalmente, quase no fim do filme, revela-se o segredo por detrás do número 9 e a minha mente explode em significados e simbolismos como se de um Big Bang se tratasse. Primeiro porque aquele conceito estava guardado nas reminiscências da minha memória, mas acima de tudo porque aquela revelação fez com que eu entrasse naquela sala com curiosidade e tivesse saído com a mente em perfeito êxtase.
Não querendo estragar o filme a ninguém, posso apenas dizer que os nomes ancestrais das personagens principais são: 1. Khat, 2. Ka, 3. Ba, 4. Khaibit, 5. Akhu, 6. Sahu, 7. Sekhem, 8. Ab, 9. Ren.
Uma obra de arte é maior quanto menos se fechar em si mesma.
Eu ainda estou dentro desta.

quinta-feira, maio 06, 2010

Ligar os pontos...


Cada vez que oiço a nova música dos Deolinda, abre-se uma caixa de Pandora na minha cabeça, com pensamentos que me sobressaltam. Ontem ocorreu-me concluir que, cada vez mais, vejo a vida como um jogo de RPG (e não vice-versa). Para conseguirmos viver em pleno, para conseguirmos aproveitar o que a vida tem para nos oferecer, para conseguirmos perceber as mensagens que nos chegam, para conseguirmos compreender as pessoas que nos rodeiam e, principalmente, para conseguirmos evoluir enquanto pessoas, temos de conseguir ligar os pontos. E esses pontos só podem ser ligados se tivermos o conhecimento necessário para os saber ligar.
Por exemplo, na primeira frase deste texto, faço referência à "caixa de Pandora". Quem não souber a origem do mito de Pandora, não irá compreender o que quero dizer com esta expressão. Mas se souberem do que falo, a conversa ganhará toda uma nova dimensão. Assim como para aqueles que souberem o que é um jogo de RPG.
O principío de saber juntar pontos para o entendimento da vida vem desde que nascemos. Os primeiros estímulos dão-nos a conhecer a fome, o sono, o calor, o frio, as cores, as luzes, os objectos. Mais tarde, as faces, as expressões, as palavras, as letras, os significados, os conceitos, as imagens. Depois as histórias, os mitos, as relações entre pessoas, a verdade, a mentira, as diferenças culturais, o entendimento do corpo, da mente, das artes, das ciências, da humanidade, do mundo e do universo. Quanto mais quisermos saber sobre cada assunto, quanto mais curiosidade tivermos, quanto mais inconformados formos com aquilo que temos por adquirido, quantos mais pontos conseguirmos juntar, maior será a nossa percepção, maior será o nosso entendimento e maior será a nossa evolução enquanto seres humanos. Claro que nunca poderemos saber tudo sobre tudo mas, se soubermos um pouco sobre muita coisa, será mais fácil abrir portas que desconhecemos, do que se nunca tivermos a chave para conseguir porta nenhuma e tivermos de abrir todas à machadada.
Passar por uma má experiência pessoal, ler um livro que não tem relevância cultural, ver um filme alternativo, ouvir uma música fora de moda, ou simplesmente dar um passo arriscado para mudar de vida, podem ser formas de adquirir um conhecimento que, até aí, nunca tinhamos conseguido adquirir. Porque nunca se sabe onde um passo fora da nossa órbita nos pode levar. Mesmo que seja por uma caminho menos bom, será sempre para um lugar novo. E para a próxima, já serão mais uns pontos que vamos conseguir ligar.
Porque nada vem do nada, porque tudo está interligado, porque tudo advém de algo e porque a evolução é constante, não é uma coisa que acontece de repente.

quarta-feira, maio 05, 2010

Voyeur...


Gosto de olhar.

segunda-feira, maio 03, 2010

sexta-feira, abril 30, 2010

Vocaliza-mos...


Master Unas, rula!

quinta-feira, abril 29, 2010

Moebius...

Há palavras que querem comunicar-nos muita coisa e nós nem reparamos nelas. Se não tivermos as referências necessárias, se não dedicarmos atenção àquilo que nos rodeia, muitas vezes perdemos o sentido de coisas verdadeiramente simples que podem ser verdadeiramente importantes. Ao longo da história, das culturas e das artes, da política e da ciência, da humanidade e do mundo, muitas são as palavras que se referenciam umas às outras, lançando pistas sobre como tudo pode estar interligado, como tudo pode englobar mais significados do que apenas aqueles que se decifram no seu sentido lato, como se podem descobrir muito mais mensagens do que apenas aquelas que resultam do entendimento lógico, como as pessoas, sobretudo as mais inteligentes, aquelas que interessam, conseguem com apenas uma palavras dizer muito mais do que alguns tentam explicar em calhamaços de páginas. A simbologia das palavras sobrepõe-se quase sempre à sua etimologia. Por isso, mais do que consultar dicionários ou enciclopédias (que nos dão o significado e a origem das palavras), devemos estar atentos às relações que existem entre elas, só por as ouvirmos, só por olharmos para elas, só por pensarmos nelas. Só assim podemos falar/escrever pouco e dizer/significar muito.
Dito isto, para mim, a palavra Moebius sempre significou isto:

O pseudómino de Jean Giraud, um dos artistas mais importantes da última metade do século passado (ainda no activo), que não só revoulucionou o mundo da banda-desenhada, mas o mundo das artes em geral, ao ponto de ter recebido uma carta do seu admirador Federico Fellini (vejam aqui)!
De certa maneira, este nome sempre me desconcertou, mas nunca procurei saber o seu significado, nem porque teria sido escolhido por tão enorme artista. Assumi que fosse um mero nome inventado, já que inventar é a sua arte. Até que, hoje de manhã, me deparei com uma notícia acerca do Síndrome de Moebius. Claro que o meu primeiro pensamento foi relacionar o nome desta doença com o nome do artista, mas isso não fazia sentido. Por isso, resolvi investigar.
O que descobri foi que o artista Moebius inspirou-se no nome de August Ferdinand Möbius, um matemático e astrónomo que fez importantes descobertas na área da geometria e da noção espacial. Só por isto, encontrei a resposta à razão pela qual Moebius decidiu adoptar esse nome. Mas essa descoberta levou-me a outra descoberta, já que este matemático do século XIX tinha o nome demasiado semelhante ao de Paul Julius Möbius, o homem que identificou pela primeira vez o Síndrome de Moebius, atribuindo-lhe o seu nome. E essa ligação tornou-se evidente quando percebi que primeiro foi avô do segundo.
Para quem não conhece a arte de Jean Giraud (Moebius), ouvir falar deste síndrome é apenas ouvir falar de mais uma doença rara. Mas para quem tem na memória as imagens das suas histórias, das suas personagens, vê que os que sofrem desta doença e as expressões dos protagonistas dos mundos visionários deste artista têm uma relação instrinseca, ainda que eventualmente casual. Ambos têm dificuldade em exprimir as suas emoções, em mostrar o que sentem, em refletirem na face o que lhes vai na alma. E de repente, uma palavra ganha milhares de significados, simbologias e dimensões.

E assim como uma palavra, um sorriso pode ser muito mais do que um simples movimento de lábios...

quarta-feira, abril 28, 2010

terça-feira, abril 27, 2010

Da minha casa vejo...

Depois do Projecto NATAL, esta foi a segunda evolução tecnológica que me fez cair o queixo. Para quem mora no meio da Praça do Chile ou num R/C sem janelas, aqui está a salvação (bebé não incluído!):

sexta-feira, abril 23, 2010

A book on my face...

Para mim, o dia do livro é todos os dias. Este ano, o dia internacional calha na página do meio de um livro que me tem levado numa viagem de entusiasmo, espanto, aprendizagem e perfeita devoção. Escrito e ilustrado pelo genial David Mack, este 7º volume da sua obra-prima Kabuki conjuga a magia das artes plásticas com a filosofia, a literatura e, acima de tudo, a virtude da beleza, numa história de pura alquimia criativa.
Este é o livro que me tem transformado os dias a a mente:

Mas porque um livro não chega, fui ontem ver um filme que se baseia num livro. Nunca é a mesma coisa, mas prefiro ver tudo do que julgar por antecipação. Assim, fui ver a versão cinematográfica do livro de BD que quebrou as regras no mundo da BD: Kick Ass!
A permissa é: "Com milhões de pessoas a lerem livros de super-heróis em todo o mundo, porque é que não existem super-heróis verdadeiros?"

Apesar de ser um bocado sangrento e o mais politicamente incorrecto possível, esta história puxa, sem dúvida, pelo adolescente sonhador que há em nós. Continuo a seguir a história em BD, mas o filme não me decepcionou... e tenho a dizer que esta pode muito bem ser a melhor actuação da carreira do Nicolas Cage!

quarta-feira, abril 21, 2010

Game over. Let's play...


Fechem os olhos e oiçam a letra.
Uma carta de amor para um geek. Genial.
Emocionei-me a ouvir isto. A sério.

terça-feira, abril 20, 2010

sexta-feira, abril 16, 2010

"Fa-lo de mãos postas"...

Tenho uma Nossa Senhora que brilha no escuro. Mas é só isso que ela faz.
Agora a Atlantis, desesperada para não ir à falência, lançou isto:

A partir de agora vou desconfiar sempre que ouvir uma mulher gritar de prazer "ai, minha nossa senhora"!
E estou seriamente a pensar em ir a Fátima este ano com a máquina de filmar...
Mais informações, aqui.

quinta-feira, abril 15, 2010

Gourmet mais...


Ontem estive lá... e quase que chegava ao peixe de gatas.

quarta-feira, abril 14, 2010

Este ficou-me...


Sim, um filme com a Sandra Bullock ficou-me na memória... e pela positiva.

terça-feira, abril 13, 2010

segunda-feira, abril 12, 2010

Vacation...


I needed that!...

quinta-feira, abril 01, 2010

Imaginarium...


Ver um filme do Terry Gilliam é sempre uma aventura inesquecível. Como membro dos Monty Python, desde cedo revelou o seu fabuloso "imaginarium" enquanto realizador, animador e, acima de tudo, sonhador. Para ele tudo é possível em cinema e não se acanha de demonstrar isso a cada filme que faz. Se Kubrick era um mestre a mostrar as disfunções da mente, Gilliam é um mestre a mostrar as emoções da mente. Mas mais do que criar universos oníricos, ele cria universos empíricos, onde a imaginação não é o limite, é o começo. Desde o filme Brazil até a este Imaginarium, passando pelos fabulosos Fear and Loathing in Las Vegas e Tideland, entrar numa sala de cinema para ver uma obra de Terry Gilliam é como atravessar para o outro lado do espelho.
Este filme tem ainda a particularidade de ser o último de Heath Ledger, no papel de um homem que está prestes a morrer... (damn irony!).

quarta-feira, março 31, 2010

Slap my face and call me chubby!!!

Será que quando as portem abrem, ouvem-se anjos a cantar UUUUAAAAAAAAAAAAAHHHHH!!!!

Frankfurt, Alemanha

segunda-feira, março 29, 2010

Levem-me para este motel...


Diz que servem água de coco...

quinta-feira, março 25, 2010

quarta-feira, março 24, 2010

Viagens...


A vida é feita de chegadas e partidas.
Aguenta aí, Johnny Bravo!
Forte abraço!

segunda-feira, março 22, 2010

quinta-feira, março 18, 2010

Haircut...

Poucas coisas sabem tão bem (muitas coisas sabem melhor!) do que ir cortar o cabelo a um cabeleireiro unissexo. Para além de não sermos atendidos por um barbeiro com Parkinson que, sem dúvida, nos faz sempre um penteado original, temos quase sempre a sorte de poder levar uma massagem capilar enquanto lavamos o cabelo, sem aquele constrangimento de estar a curtir à brava uma massagem feita por um gajo. Para além disso, pode até acontecer as empregadas serem bem parecidas, assim como as clientes (apesar de não ser uma permissa fidedigna). Tem apenas a contra-indicação de, em vez de ouvirmos falar de bola, política ou mulheres, ouvimos conversas sobre filhos, novelas e... mulheres. No entanto, nunca me perturbou muito porque gosto sempre de ouvir opiniões dos dois lados... sobre mulheres :)
Mas mais do que isso, ir cortar o cabelo é sempre uma lavagem que se faz à cabeça e ao espírito. É certo que pode não sair sempre como nós queremos, mas esse risco é que torna esta simples acção ainda mais estimulante.
Desta vez, senti uma diferença abismal. Entrei assim...

...e saí assim...

Espectacular.

terça-feira, março 16, 2010

Going with the wave...


This one is so different...

terça-feira, março 09, 2010

I wonder...


Admito: sou fã. Fui ver com olhos de fã. Fui ver com o meu inerente gosto pela visão (3D ou não) de Tim Burton. Gosto do facto de ele ter criado um universo próprio, uma linguagem própria, um estilo burtonesco. Gosto de visitar essa outra dimensão para onde as suas obras (sejam filmes ou não) nos levam. Que outra razão haveria para ver mais uma versão de Alice no País das Maravilhas? Que outra desculpa?...
O filme é brilhante, do realizador aos actores (sejam eles de carne e osso ou não), passando pelo pormenor que destabiliza esta história e a separa das outras versões: a deformação, mais do que física, do carácter. A deformação é sem dúvida o busílis da questão. A Alice não é Alice, a rainha de copas não é a rainha de copas, a rainha branca não é a rainha branca, o chapeleiro louco não é o chapeleiro louco, o gato não é o gato, a underland não é a underland. Os narizes caem, as orelhas também, as barrigas são falsas e tudo o resto se descola quando a deformação dá lugar à realidade e uma cabeça esvoaçante sorri para nós.
"I didn't know cats could smile..."

segunda-feira, março 08, 2010

Dia da mulher...


"O livro Why Women Have Sex descreve 237 razões femininas para partilharem os lençóis com alguém."
Artigo do Expresso, aqui.

quinta-feira, março 04, 2010

quarta-feira, março 03, 2010

Sinfest...


Hoje chegou-me esta encomenda.
Este é o primeiro volume de uma colecção de livros que condensam as primeiras tiras de um cartoon que se pode ler gratuitamente na net... aqui!
E porque é que eu fui comprar um livro de algo que posso ler gratuitamente?
Primeiro porque sou amante dos livros e depois porque encontrei um tesouro (e não quero ter de ligar o computador sempre que o quiser apreciar).
Este cartoon é a resposta mais actual e refrescante aos clássicos dos cartoons, como a Mafalda, Calvin & Hobbes, Peanuts, Muts, etc. Mas aqui não se usam meias palavras, não há assunto intocável nem vergonha que resista. Aqui fala-se dos temas mais pertinentes, das questões mais abrangentes e dos pequenos pormenores que ajudam a completar alguns puzzles mentais. É a cultura do novo século dissecada através de analogias e não de metáforas. Aqui diz-se tudo, chamam-se as coisas pelos nomes e rimo-nos da cruel verdade.
Este Sinfest é um verdadeiro festival de pecados. Mas num mundo onde a virtude e o pecado são omissos, onde a linha entre o céu e a terra se esbateu na virtualidade dos dias, precisamos de uma luz que nos mostre algum caminho. Um caminho para as novas questões que nos são colocadas, para os novos mistérios da vida e para a simples conquista do prazer. Sim, do prazer...

segunda-feira, março 01, 2010

Utopias...


O problema das utopias é que a própria vida, a própria existência, é a derradeira Utopia. Passamos a vida a desejar coisas que não concretizamos, tal como passamos a vida a concretizar coisas que não desejamos. Quando finalmente concretizamos algo que desejamos, subitamente passamos a desejar algo que, por termos concretizado o desejo anterior, já não será possível de concretizar. E as utopias repetem-se em espiral, levando alguns ao desespero de nunca as conseguirem concretizar e outros à incessante busca de novas utopias, pois só isso os faz desejar continuar a viver.
Tal como a curiosidade é a derradeira paixão, a utopia é o derradeiro amor. Não só porque o amor é o paradigma utópico por excelência (indefinível e indecifrável), como porque o amor é o paradigma espiritual por inerência (infinito, imensurável, volátil, etéreo). É o sentimento absoluto criado pelo Homem, é a impossibilidade emocional tornada possível pela resolução humana.
Quando li pela primeira vez as aventuras do Corto Maltese já tinha conquistado algumas das minhas micro-utopias e não percebi porque raio um personagem épico, contemplativo, que vive no limiar do sonho e da fantasia, que se vê confrontado com mitos e lendas, não conseguiria ler um livro sobre utopias. "Merdas pseudo-filosóficas", pensei eu sobre Hugo Pratt. "Uma artimanha só para lhe atribuir uma pequena imperfeição metafórica que pouco ou nada interfere na sua história." Não voltei a ler esses livros, mas sempre que olho para as suas lombadas alinhadas na minha estante, lembro-me daquela página ali em acima.
O certo é que, quanto mais leio as histórias reais, quanto mais analiso as ideias e os ideais que me rodeiam, quanto mais me apercebo das incongruências mitológicas da modernidade e quanto mais olho para a minha própria natureza, mais creio nas utopias, mais certezas tenho que elas servem para nos salvar e mais percebo que a dificuldade do Corto não era ler o livro de Thomas Moore. Era sê-lo.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Felinas...


So much to learn...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Puff!...


E assim se fez mais um kitty!
Ontem, lá longe, nos países baixos, um casal de criativos gatos deu à luz a sua obra-prima.
Happy birthday, kitties!
Wish I was there...

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Lacinhos...


Senhor guarda, eu vou tentar explicar o que aconteceu.
Eles eram não mais que uma dúzia. Com idades compreendidas entre os 6 e os 14 anos. Rapazes e raparigas. Ninguém dava nada por eles. O que é certo é que me enfardaram um enxerto de pancadaria que já via tudo a preto e branco. Só me lembro que dois deles usavam uns laços branços. A menina loira e o puto com cara de osga. Mas não se deixe enganar pelas carinhas deles. Isto é coisa para fazer rebentar um guerra. Ainda por cima, ouvi dizer que o pai desses de lacinho branco era padre. Mas eles de santos não tinham nada. Raios os partam. O que fiz eu para merecer isto? Deve ser por ser gato preto...

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Devotos do prazer... adiado


Nova data. 6 de Março. O mesmo local.
Vejam aqui.

It's like looking in the mirror...


“I am a twenty-something, educated, intelligent young woman with a nice smile, by most accounts a pretty face, and a great ass. I have excellent manners and an extensive vocabulary. I got good grades in school and graduated from a reputable, venerable, old Catholic institution cum laude, and I've had a number of interesting worldly experience since then. I'm a hard worker, a good conversationalist, and a generally presentable person. I'm the kind of girl you could bring home to Mom and Dad.
So I guess it comes as a surprise when I tell people who don't know me—and many who do—that I write for porn magazines.”

Damn, girl…

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Lakes...


Algarve aguaceiro, com boas abertas...

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Lembras-te?

De vez em quando lembro-me.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Singelo...

Cada vez gosto mais de coisas singelas.
Esta letra é uma delas.

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Antichrist invictus...


A Mulher é a antítese de Cristo. Graças a Deus.
Lars Von Trier é a antítese da complacência. Graças ao senhor.

O senhor Nelson Mandela é o apogeu da complacência. Graças ao arco-íris.
Invictus é o apogeu da insipiência. Graças ao Clint.

Tanto no sexo blasfémico, como no desporto filantrópico... já vi melhor.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Improv... improve...

Durante vários anos, quando me projectava num futuro idílico, via-me como um actor. De comédia, sem dúvida. Por esta altura, se o meu sonho tivesse tomado proporções reais, estaria na fase em que já andaria com aquela petulância de, depois de fazer rir o grande público, querer tornar-me um actor sério, "a sério", como todos os actores de comédia portugueses.
Fui tendo algumas experiências em teatro. Primeiro como aprendiz de teatro "a sério", depois em núcleos de teatro amador e finalmente como participante em concursos de teatro/comédia de improvisação. Esta última aventura levou-me a dois sítios. Primeiro a Roma, quando ganhei um dos concursos, e depois a trabalhar com os Commedia a la Carte e a perceber que, na verdade, um actor não tem forma, tem apenas função. E a minha função, no caso de poder ter alguma, seria actor de improvisação. No circo seria o trapezista sem rede, na política seria o deputado sem texto, na televisão seria o apresentador de directos, num jantar de gala seria o gajo sem calças. Não seria actor de método, estudioso, compenetrado, com superstições, com truques ou com manhas. Seria um actor do desenrascanço, à antiga portuguesa. Porque só o improvável, o caos, o momentâneo daria espaço para o expressionismo absoluto, para o absurdo, para a criatividade pura e dura.
Vai daí, há uns dias fui ver isto ao vivo (com a participação do meu bom amigo Mário Bomba):

Num infeliz volte-face, chamaram-me ao palco para participar numa das improvisações dos Improváveis e o caruncho lá voltou a roer.
Damn it...

sexta-feira, janeiro 29, 2010

E à sexta, foi de vez...

Deixei de usar relógio por razões de segurança. Das últimas 2 vezes que fui assaltado, a pergunta que fizeram para me abordar foi: "Tens horas?" E eu, puto fixe, dizia que sim, olhava para o relógio, desviava a atenção e, de repente, já tinha um grupo à minha volta, numa das últimas vezes com uma faca apontada à barriga.
Deixei de usar relógio. Assim como deixei de usar bonés, ténis de marca, roupa de marca, ou qualquer outra coisa que chamasse a atenção, o que resultou num melhoramento substancial do meu estilo próprio e afastou qualquer tipo de interesse por parte de meliantes, já que toda a gente sabe que eles são, na verdade, uns betinhos de merda. Deixei até de andar com dinheiro nos bolsos e qualquer coisa que ostentasse algum valor.
Depurei-me de tantos acessórios que, a última vez que fui abordado, perguntaram-me: "Tens horas?". Eu: "Não". Ele: "Tens trocos?". Eu: "Não." Ele: "Fdx, também não tens nada." E eu senti-me feliz por não ter nada.
Lições de vida.
Vai daí, passados quase 10 anos desde o último evento social com bandidos, voltei a considerar ter um relógio. No entanto, olhando à minha volta, vejo as horas no telemóvel, no rádio do carro, no computador, no leitor de DVD (sim, sei acertar esses relógios), no relógio do quarto, da cozinha e até na casa de banho. Perguntei-me: para quê ter mais um relógio?
A resposta tinha de ser de outro mundo (e chegou hoje às minhas mãos):


A mais valia de ter um relógio no pulso é que não seja apenas um relógio.
Sim, sou geek, and proud of it!

quinta-feira, janeiro 28, 2010

quarta-feira, janeiro 27, 2010

terça-feira, janeiro 26, 2010

segunda-feira, janeiro 25, 2010

quarta-feira, janeiro 13, 2010

terça-feira, janeiro 12, 2010

Wild...


"Happiness isn't always the best way to be happy..."

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Sheer luck...?


Obrigado Madonna, por seres quem és! Mais uns aninhos e tinhas destruído a carreira do realizador inglês mais refrescante e emocionante da última década!
Só um Guy Ritchie em grande forma e sem problemas existenciais na cabeça poderia transformar uma personagem clássica e totalmente bidimensional num homem em grande forma e com muitos problemas existenciais na cabeça. E conseguiu fazer isso não apenas com o personagem principal, mas também com o personagem "secundário". Só dois actores bem dirigidos poderiam parecer conhecer-se há séculos. Sherlock e Watson não podiam ser mais distintos e mais parecidos. Uma relação que ultrapassa a irmandade e que, por vezes, chega a resvalar para algo mais... íntimo. Mas mesmo isso encaixa como uma luva naquela realidade.
Desde ver Sherlock a ressacar por não ter casos para resolver, ao seu modus operandi durante uma luta, passando pela vontade irresistível de Watson em ajudar na resolução de um caso, até à magnífica cena das explosões, tudo contribui para que, no fim do filme, o público saia a desejar mais. E mais haverá! "Case reopen".
E tal como diz Sherlock, "a importância está sempre nos pormenores".

quarta-feira, janeiro 06, 2010

segunda-feira, janeiro 04, 2010

New me?...


Mais um ano passado noutro código postal. Começo a habituar-me.
Longe de casa as emoções são mais fortes. A falta de algo baralha-se com o potencial de tudo. A amizade, o amor, a saudade. Tudo em doze passas de um trago só e com um só desejo. Tudo com fogo de artifício de bolo de anos e estalinhos descomunais. Tudo com beijos, abraços e "knuckles" como só se dão a alguns. Tudo com horas no sofá debaixo da manta e jogos de tabuleiro que não interessa ganhar. Tudo com todos e todos com tudo. Pessoas que não vemos e que voltamos a ver. Dias de sol e dias de neve. O despertador do vizinho às sete da manhã de todos os dias de férias. A serra eléctrica na manhã do primeiro dia do ano. Umas férias de sonho com delírios espaciais. Um prazer que dá prazer repetir.
O passar do ano é apenas mais um dia, mas é o único dia do ano em que festejamos o que já passou ou, para os menos cépticos, o que está para vir.
O ano mudou mas o mundo não.
What about me?...