
Já que vou tendo muito poucos comments, assumo que apenas meia-dúzia de pessoas (eventualmente) passam os olhos por este blog. Dessas pessoas, suponho que 100% sejam homens. Por isso, hoje apetece-me dissertar sobre algo que (suponho) interessará à totalidade da minha audiência: As lésbicas.
Nunca um tema despertou uma dicotomia tão grande entre desejo/nojo no coração dos homens. Digo isto porque hoje, enquanto passeava durante a tarde (como todas as tardes úteis) pela cidade e pelos meandros underground do metropolitano, dei por mim a pensar no que realmente poderia um homem sentir quando confrontado com duas lésbicas. No meu caso, nesta tarde, fui confrontado com um casal de jovens, uma com cerca de 16/17 anos, muito magra, cheia de borbulhas e com cabelo liso até ao meio das costas, a outra já com os seus 20s, mais de 100 quilos de peso e cabelo muito curto, ambas com mau aspecto, mal vestidas e muito pouco femininas (principalmente a mais velha). No entanto, o carinho que demonstravam e as tentativas lúdicas de conseguirem dar beijos refundidos na boca uma da outra, fizeram-me pensar que eu estava a ser injusto ao ajuizar aquela relação como uma aberração repugnável. Mas será que estaria?
Na mente dos homens é muito comum (talvez demasiadamente comum) haver uma parte secreta que sente prazer em ver duas mulheres a tocarem-se. Ao contrário da mente das mulheres, que é rara aquela que fantasia com dois homens juntos. No entanto, difícil será encontrar um homem que se sinta estimulado por ver duas mulheres pouco atraentes (e aqui os gostos dão para tudo) a terem uma relação lésbica. E já a própria relação amorosa entre duas mulheres tende a ser algo mais difícil para um homem aceitar do que propriamente uma iniciativa de desejo manifestada num momento esporádico.
Talvez por isso, os homens não consigam encontrar, por exemplo em séries como "A Letra L", momtivos de estimulação, mesmo quando se mostram relações lésbicas entre mulheres relativamente atraentes. A própria "masculinidade" (que na série até é pouco evidente) tão característica da maior parte das mulheres lésbicas, é um factor altamente destabilizador no entendimento da realidade homossexual feminina.
Partindo destas ideias, concluo que a fantasia de muitos homens não se prende com lésbicas (e daí o erro de se pensar que as relações entre mulheres são melhor aceites pela sociedade que as entre homens), mas sim com a Beleza, com mulheres belas, dispostas a esporádicas experiências bissexuais no calor de um efémero momento.
Há algum tempo, li uma reportagem portuguesa sobre experiências de "menáges à troi". As situações eram as seguintes:
1. Homem e amigo engatam uma miúda num bar.
2. Homem pede à namorada para experimentarem com uma amiga dela.
3. Mulher diz ao namorado que deseja experimentar com uma amiga dela.
4. Homem vai com duas amigas bissexuais.
5. Mulher vai com um casal
Dos cinco relatos recolhidos, só um revelou um final feliz: O casal em que a mulher pediu ao namorado para experimentarem com uma amiga dela. Só neste caso todos saíram satisfeitos e com vontade de, "quem sabe", repetir. Nos restantes casos houve sempre mal-entendidos(5.), inveja(1.), decepção(4.) e até raiva(2. - da parte da namorada).
Ler este artigo fez-me também pensar no outro ponto de vista, no da própria Mulher. Já tive várias conversas animadas sobre este assunto e a minha posição é esta: uma relação espontânea entre duas mulheres é muito mais natural de acontecer devido à subjectividade que uma experiência destas envolve. "Subjectividade" no sentido de não acarretar o envolvimento físico que, por exemplo, a relação entre dois homens acarreta (daí também acreditar que a bissexualidade masculina é um autêntico mito. Ou se é ou não se é). Salvo utilização de objectos estranhos, uma mulher não consegue, numa experiência bissexual, fazer a outra mulher algo que ela própria não faça a si mesma (ao contrário de dois homens que praticam sexo anal, algo que um homem não consegue fazer a si mesmo... salvo utilização de objectos estranhos!). A meu ver (e até prova do contrário), as sensações que uma mulher procura noutra mulher estão mais ligadas à subtileza do toque, ao conhecimento que as mulheres têm do seu corpo e à possibilidade de ser explorada de uma forma mais sensorial, talvez até mais estimulante que através do toque aventureiro e indisciplinado do homem. Isso sim, é uma fantasia.
Nota: Obviamente, esta dissertação não tem qualquer relação com o sentimento amoroso. Disso falaremos noutra ocasião.