segunda-feira, julho 07, 2008

Tell your weekend to stop staring at my eyes...


“A faculdade de granjear amizades é de longe a mais eminente entre todas aquelas que contribuem para a sabedoria da felicidade.” – Epicuro, filósofo grego

quinta-feira, julho 03, 2008

Palavras para quê?


Tive todo o gosto em assistir a esta performativa!...

terça-feira, julho 01, 2008

Incredible green... shit!


Ontem fui ver o novo filme do Hulk. (ok, acabei de perder todo o sex appeal que me restava...)
Saí com uma opinião: o filme, que não se chama “Hulk 2”, “Hulk Regressa” ou “Hulk Vai Lavar As Mãos Que o Jantar Está Na Mesa”, foi feito por causa dos últimos 2/3 minutos. Ponto final. Quase duas horas de filme porque alguém se lembrou de um diálogo com 4 frases que, a intenção, é antecipar outro(s) filme(s). Diga-se que, se o filme fosse bom, os últimos 2/3 minutos teriam provocado um orgasmo precoce a qualquer geek enfezado que estivesse já um pouco triste por perceber que o filme estava perto do fim. Mas como o filme foi uma green shit, digamos que aquele momento final foi como um orgasmo sem ejaculação (para os menos informados, isto existe!).
A minha reacção negativa a este filme baseia-se muito naquilo que senti em relação ao anterior, realizado pelo Ang Lee. Esse filme, um dos melhores filmes baseados em banda-desenhada de sempre(!), explorava a essência de um personagem que, basicamente, sofre do síndroma Dr. Jekyll and Mr. Hyde (aliás, foi essa a inspiração por detrás da criação do Hulk nos anos 60) mas que é tão complexo e tão intenso ao nível das emoções que o atormentam, que acaba por ser um monstro que realça, sobretudo, a dificuldade de se ser humano. Para além disso, o filme inovava em termos de realização (inspirada nas mutações radioactivas, inerentes ao personagem principal), storytelling (com várias imagens em simultâneo no ecrã, tipo 24h), na ligação entre planos e cenas e, principalmente, na tentativa de mostrar uma realidade credível, ainda que dentro do género. Algo como o que também foi conseguido recentemente com o filme do Homem de Ferro.
Este novo filme, para além de não trazer nada de novo (a não ser o “cameo” da brasileira mais formidável do actual panorama telenovelesco), é apenas mais um daqueles filmes de banda-desenhada que, quem não gosta de banda-desenhada, vai ver e diz: “Pois, por isso é que eu não gosto destes filmes. É só explosões, rugidos, violência gratuita, sequências intermináveis de lutas e perseguições sem conteúdo, um romance lamechas metido à pressão, sem mensagem nenhuma, etc, etc... Nunca mais venho contigo!” Por isso, até foi bom eu ter ido sozinho.

Nota: Dificilmente irei novamente aos cinemas do El Corte Inglês. Para além de ter pago mais por um pacote pequeno de pipocas e por uma bebida pequena do que pelo bilhete do cinema, consegui acabar com os meus mantimentos antes do filme começar, tal foi a quantidade de anúncios e previews de outros filmes. Goddamit!

quinta-feira, junho 26, 2008

Música que dá vontade de abraçar...


Já que estamos numa onda musical, aqui está a música que já dediquei à gatinha que mais amo. Eu sei que é uma balada "r&b" e que, nestas músicas, até os gangster rappers são os cãezinhos mais dóceis, mas o que é certo é que esta toca questões que são realmente relevantes para mim e que me fazem perceber que o amor, ao contrário do que se procura cada vez mais na sociedade actual, não é o agora, é o depois.

"Lately you've been, questioning
If I still see you the same way
'cause through these tryin years
We've, more then both physically changed

Don't you know you'll always be the most
Beautiful woman I know
So let me reassure you darling, that
My feelings are truly unconditional, see

I'll love you when you hair turns gray, girl
I'll still want you if you gain a little weight, yeah
The way I feel for you will always be the same
Just as long as your love don't change

No, I was meant for you, and you were meant for me, yeah
And I'll make sure that I'll be everything you need, yeah
Girl the way we are is how it's gonna be
Just as long as your love don't change

'cause, I'm not impressed, more or less
By them girls on the tv and magazines
'cause honestly I beleive, that
Your beauty is way more than skindeep

'cause everything about you makes me feel
I have the greatest gift in the world
And even when you get on my last nerve
I couldn't see myself being with another girl

I'll love you when you hair turns gray, yeah
I'll still want you if you gain a little weight, yeah
The way I feel for you will always be the same
Just as long as your love don't change,

No, I was meant for you, and you were meant for me, yeah
And I'll make sure that I'll be everything you need, yeah
Girl the way we are is how it's gonna be
Just as long as your love don't change

So, don't waste your time
Worry about
Small things that ain't relevant to me
'cause, to my, understanding, you're all I want and need

See, what I'm done say is I'm here to stay
And as long as you love doesn't change, for me
Baby, darling I swear, that I, I swear I ain't goin' nowhere

I'll love you when you hair turns gray, girl
I'll still want you if you gain a little weight, yeah
The way i feel for you will always be the same
Just as long as your love don't change,

I was meant for you, and you were meant for me, yeah
And i'll make sure that i'll be everything you need, yeah
Girl the way we are is how it's gonna be
Just as long as your love don't change"

Musiq Soulchild
Dontchange

sexta-feira, junho 20, 2008

Ando com uma orquestra na cabeça...



Nunca consegui escrever em silêncio. Tenho demasiados pensamentos para que consiga ter sossego suficiente para seguir um racioncínio. Ponho em questão tudo o que escrevo à medida que vou escrevendo. Para mim, escrever em silêncio é uma guerra épica contra as vozes que falam no interior dos meus ouvidos. E eu tenho/oiço demasiadas vozes. Já para não falar nos barulhos insurdecedores produzidos pelo bicho da madeira, pelo vento na janela, pelos passos dos vizinhos, pelo frigorífico, pelo pó a colar-se aos móveis, pelos pêlos a crescer no corpo e pelo eco do silêncio.
Tudo isso me distrai.
Por isso, sempre que escrevo tenho de estar de fones nos ouvidos e a música tem de ser suficientemente serena para não me atrapalhar os pensamentos, suficientemente complexa para eu não me farte de a ouvir depois de dois ou três loops e que seja cantada por uma voz tão inebriante que deixe a minha imaginação trilhar caminhos surpreendentes.
Exemplos constantes na minha lista são Radiohead, Rufus Wainwright, Badly Drawn Boy, Feist, Joni Mitchel, Jill Scott, Musiq, John Legend, Kanye West, Phoenix, Snow Patrol, Coldplay, Rita Redshoes, David Fonseca, JP Simões, Dead Combo e alguns lounge mixes e etc.
Mas recentemente, na lista dos mais tocados, está uma banda que oiço quando escrevo, quando não escrevo e que assobio quando não estou a ouvir: Beirut



Pelo que percebi, já muita gente ouviu falar desta banda americana, mas para mim foi uma daquelas surpresas que parecem não parar de surpreender a cada audição desta "musical assemblage". Pensem nas melodias de um Emir Kusturica & No Smoking Orchestra a 33 rotações e com uma voz que parece saída de um conto de fadas e que nos embala para um mundo de boémia melancolia. É o que estou a ouvir enquanto escrevo estas palavras...

quinta-feira, junho 19, 2008

É a falta de cultura, estúpido!


À conta do Jornal Público ando a descobrir os clássicos.

quarta-feira, junho 11, 2008

Finalmente, um desporto à minha "dimensão"...


Quando não se tem nada para dizer, basta pisar uma pequena poça de lodo na internet e descobrem-se coisas que nos desarmam.

Eu até ando com vontade de fazer um desporto qualquer. Talvez isto seja a solução.
Para todos vós, meninos e meninas, origamis penianos!

Eu já sei fazer este...

segunda-feira, junho 02, 2008

Amy a afogar-se no Rio...


Gosto de tascas.
É uma tara minha.
Gosto de tascas, de todo o conceito orginal, do balcão em aço inox, sempre húmido, onde os copos deslizam de mão em mão, das mesas desengonçadas onde só se sentam duas pessoas e meia, da montra de bebidas espirituosas para consumo exclusivo da casa, do cheiro constante a álcool que atrai as moscas e afasta as melgas, dos donos, o senhor ou a senhora de bigode, que passam o dia a limpar copos e que todos tratam por tu, dos clientes habituais que vêem a vida através do fundo das garrafas, dos diálogos que são apenas monólogos, dos olhares vagos e, sobretudo, das vozes. Adoro as vozes. Aquelas vozes que já vêm apodrecidas do goto, que apenas conseguem falar em segredo mas que, com um penálti ou dois bem marcados, são audazes o suficiente para trautear uns fadunchos ou uma baladas das antigas. Não há nada melhor que um bom fado castiço, cantado por uma voz quebrada à beira da obliteração.
Por essa razão, quando oiço alguém dizer que a Amy Winehouse tem uma bela voz, penso para mim que também o Sr. Xico, da Tasca do Zé, em Alcântara, e o Sr. Felisberto Caracol (nome verdadeiro) do Cantinho Saloio, ali para os lados de Alverca, também teriam talento suficiente de estar no Palco Mundo do Rock In Rio, se ao menos alguém apostasse neles...
Mas acho que sei porque é que estas boémias estrelas de becos e vielas nunca conseguiriam tal façanha: nenhum destes perdidos da fé é viciado na maldita cocaína e, por conseguinte, não possuem "star quality".
Se vivesse em Lisboa e se chamasse Amélia Adega, a Amy Winehouse nem conseguiria encher as três mesinhas do canto da Tasca da Ti Albertina, no Bairro da Mouraria. Ninguém teria estômago para aguentar tal decadência...

sexta-feira, maio 23, 2008

Lá em cima está o tiroliroliro...

Descubram as diferenças entre os últimos volumes de dois dos maiores franchisings de sempre...

Dica 1: "Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia" - Shakespeare

Dica 2: Eles andem aí... e são recicláveis!

segunda-feira, maio 19, 2008

A História das estórias...


A Banda-Desenhada sempre foi a minha maior fonte de inspiração. Desde muito cedo que me senti seduzido pelas mais variadas aventuras gráficas. O prazer de ler BD surgiu principalmente a partir do momento em que percebi a diferença entre as histórias ilustradas e a banda-desenhada. Enquanto as estórias ilustradas são prosas que se fazem acompanhar por ilustrações mais ou menos genéricas de uma das partes mais relevantes do texto, na BD as ilustrações têm de contar a própria estória, mesmo que se omitam as palavras. Mas esta afinidade deriva apenas da minha própria evolução enquanto leitor (já que os livros infantis são, na sua maioria, histórias ilustradas). Aliás, se aceitarmos a tese de que a BD descende das gravuras pré-históricas (histórias contadas por imagens) percebemos que a BD bem pode ter antecipado as histórias ilustradas e não o contrário.

De qualquer forma, e sendo eu inatamente inapto para a concretização gráfica, tenho-me dedicado à escrita de argumentos, particularmente para BD. Apesar se também sentir grande afinidade com o mundo do cinema e do teatro, a BD é sem dúvida o meu meio de eleição. A relação gráfica entre as palavras e as imagens é algo que me emociona. Para além da componente fisiológica de estimular ambos os hemisférios do cérebro (o lado da lógica/linguagem e o lado da criatividade/emoções), a BD compreende a fusão de duas expressões antagónicas (a palavra e a imagem) que se sobrevalorizam através de uma primordial complementaridade, que resulta noutras duas extraordinárias concepções: a narrativa e a beleza. Aquilo que tento fazer quando escrevo um argumento é que a narrativa seja inerente à beleza e vice-versa.

Ao longo desta minha pequena “carreira paralela”, com direito a cursos e workshops, já tive algumas breves experiências publicadas, umas más outras boas, mas tive principalmente a oportunidade de perceber um pouco mais sobre como funcionam as parcerias num tipo de arte que, em Portugal, tem a sina de ser muito solitário. Aprendi que, num país onde não há muito dinheiro a ganhar, ainda para mais com livros, são muito poucos aqueles que trabalham por amor à arte e que persistem na luta por conquistar algo em que mais ninguém está disposto a acreditar.

Foi com esta percepção, e com algumas histórias na gaveta, que conheci esta lutadora. Com um estilo influenciado pela BD nipónica, o Mangá, ela tem persistido na sua contenda, apesar de alguns acidentes pelo caminho que, por momentos, lhe podiam ter roubado a esperança. De qualquer forma, é com muito orgulho que apresento aqui os primeiros passos de uma história que esteve enclausurada na gaveta durante demasiado tempo e que agora, finalmente, começa a ganhar forma.


E aqui fica um pequeno preview de uma outra aventura que se prevê épica...


Let’s keep it up, Lemon!

sexta-feira, maio 09, 2008

Mais um assunto delicado...


"Fale com a sua filha antes que a indústria o faça por si", slogan do filme Sob Pressão, a nova campanha da Dove (obrigado, Isabel).

Na minha versão seria: “Fale com a sua filha antes que ela se transforme em mais um estereótipo”.

Depois do relativo sucesso da anterior campanha “Mulheres Reais”, ficou-se a perceber que há uma coisa realmente difícil de comunicar ao público feminino: a realidade. Quanto mais fantasista for uma comunicação, seja ela sobre que produto for, mais sucesso tem junto das mulheres. Curiosamente, as vozes femininas só se têm levantado quando deparadas com as fantasias das menstruações dançantes e sorridentes dos anúncios a pensos higiénicos. Que quererão elas nesse caso? Imagens de sangue a jorrar ou de mulheres mal dispostas?... Acho que aí o problema se prende mais com o medo do ridículo, mas isso é outra questão.

No que diz respeito aos conceitos de beleza, cada vez mais se valoriza a lei do facilitismo e da fantasia. Cada vez mais se desvaloriza a mulher real e se tenta valorizar a mulher irreal, plástica e científica. E a primeira a desvalorizar essa realidade é a própria mulher. Com a facilidade de acesso à cirurgia estética, as mulheres estão a tornar-se em puros esteriótipos (mamas colossais, rabos empinados, peles repuxadas) e, ainda por cima, a partir de idades cada vez mais novas. Como se sentirão as mulheres de 60 anos ao verem uma mulher de 20, bonita e jovem, a rebentar as costuras com mamas de dimensões planetárias, rabo almofadado e lábios a rebentar de silicone? Será que uma mulher já com alguma experiência olha para as outras e pensa: “Coitadas, nem sabem dar valor ao que têm.”?... Pelo que se percebe da sociedade actual, nem sempre. Uma mulher com mais experiência, agora é mais normal pensar: “Eu também quero ter umas mamas daquelas!” Então vá de ir à faca transformar-se num Frankenstein, perdão, Lili Caneças.

E para os que defendem que a cirurgia estética é o mesmo que pôr maquilhagem ou pintar o cabelo, considero sinceramente que são coisas muito diferentes porque enquanto uma muda algo por completo, a outra apenas disfarça/realça algo que já lá está.

Até porque esta questão não se cinge apenas às mulheres. Esta atitude perante o corpo e perante a idade demonstra que as mulheres também têm uma visão cada vez mais estereotipada da forma como os homens as vêem. Será que, depois de sermos vistos como seres básicos que só gostam de desporto, bebedeiras, sexo e violência, também ficaremos conotados com os broncos mal amamentados que só gostam de mamas gigantes, bocas de broche e peles esticadas?... Mas a culpa também é nossa! Nós somos os principais consumidores das meninas de plástico, sejam elas em fotos, filmes ou ao vivo. Há que quebrar o ciclo vicioso!

Sem ser um revolucionário, há questões em que gosto de remar contra a maré. Dito isto, escrevo este “manifesto” para demosntrar aqui a minha aversão pública à plastificação da mulher. Sou a favor da mulher real, da mulher que sabe envelhecer com o seu corpo mas que mantém o espírito jovem (quantas jovens siliconizadas já são velhas de espírito...?), sou a favor das mamas grandes e pequenas, levantadas e descaídas, da pele lisa, com celulite, casca de laranja e casca de pêssego, dos lábios finos, médios e grossos, das loiras, das morena e das ruivas, das peles escuras, das claras, das mais ou menos, das com manchas e com borbulhas, dos dentes direitinhos e dos dentes tortos (adoro dentes tortos), dos olhos verdes, azuis, castanhos, pretos, cinzentos e de todas as outras cores, de cinturas delgadas, largas, rijas e fofas... resumindo: gosto da mulher em toda a sua complexidade, admiro a perfeição da imperfeição e acho que seria fundamental que as mulheres também soubessem valorizar-se enquanto pessoas e não enquanto estereótipos físicos de uma fantasia cultural e social que não se sabe até quando irá durar. E desde a infância. Isso sim, seria uma intervenção estética positiva.

No limite, se as mulheres seguirem o rumo de se tornaram todas iguais, aí sim, serão vistas apenas como meros objectos sexuais. Num futuro em que todas as mulheres têm mamas gigantes, rabos perfeitos e peles esticadas, não haverá escolha. Ou então a escolha será sobre aquela que consegue pôr mais silicone, aquela que tem a pele mais esticada ou sobre aquela que consegue fazer mais lipoaspirações.

E não me venham com questões ridículas, tipo “Então e as mulheres com obesidade mórbida, e as que tiveram cancro e ficaram sem uma mama, e as que têm varizes e as que têm uma perna mais curta do que a outra...?”. Obviamente que é para isso que o silicone, as bandas gástricas e afins existem: para melhorar a saúde, não para sustentar caprichos. E isto leva-nos de volta ao início deste “manifesto”. Muitas vezes, o aumento das mamas e todas as outras intervenções estéticas radicais devem-se a um único problema: falta de auto-estima. E é isso que a campanha da Dove tenta devolver às mulheres. A mensagem é: toda a gente é perfeita nas suas imperfeições. É isso que torna as pessoas únicas. Quantos homens amam incondicionalmente mulheres que muitos outros homens consideram feias? Quantas mulheres que parecem perfeitas têm pele adiposa, celulite, mau odor, etc? Porque a questão já nem se prende com a definição do que é belo, mas sim sobre o que é socialmente e industrialmente considerado belo. Com a plastificação feminina, as mulheres deixam de ser únicas entre si para passarem a ser imagens formatadas daquilo que uma mulher não é: apenas mais um corpo inchado.

Aquelas que, por se sentirem desconfortáveis com o seu corpo, frequentam ginásios, spas, cursos de massagens, fazem actividades desportivas, yôga, pilates, seguem os concelhos de nutricionistas, etc., essas sim, provam que dão valor ao seu bem-estar, sem recorrer ao facilitismo do bisturi. Essas sim, transmitem uma mensagem positiva aos mais novos. Essas sim, manifestam a beleza da sua natureza.

segunda-feira, maio 05, 2008

Música para sonhar...


Há músicas que tocam... sem parar...

You don’t understand me now,
I wonder if you ever will,
I wonder if you’ll ever try.
Don’t get sad about,
All the strange thing I wrote,
They faded as the ink dried…

So I say go, go, hold your fists high,
Grow, slow, stand in for the fight,
Though I hope you never have to.
So I say run, run, sparkling light,
Have your fun and then come home at night,
I’m sure you’ll tell me something new,
Yeah I can see the world through you.

Frozen lakes and night storms,
Most you’ll cross on your own,
You’ll face the biggest landslides.
I’ll catch you on the hardest falls,
I’ll carry you inside this walls,
We’ll sing through all the highest times.

So I say go, go, hold your fists high,
Grow, slow, stand in for the fight,
Though I hope you never have to.
So I say run, run, sparkling light,
Have your fun and then come home at night,
I’m sure you’ll tell me something new,
Yeah I can see the world through you.

So I say go, go, hold your fists high,
Grow, slow, stand in for the fight,
Though I hope you never have to.
So I say run, run, sparkling light,
Have your fun and then come home at night,
I’m sure you’ll tell me something new,
Things you did and thing you do,
Yeah I can see the world through you.

"I can see the world through you"
David Fonseca

quinta-feira, abril 24, 2008

Quidam(os) mais!


Leões e leoas, gatinhos e gatinhas, ontem foi dia de circo!
No passeio de Algés, a tenda estava montada.
Vista de fora era apenas uma tenda, mas quanto mais perto estávamos de entrar mais sentíamos que nos estávamos a aproximar de um outro mundo, o mundo onde tudo era possível. Sim, porque ainda há circos que nos fazem voltar a ser sonhadores, encantados com a fantasia da realidade.
Para os puritanos do mundo circense, este não será o verdadeiro circo, onde se trabalha para sobreviver, onde quase tudo é artesanal e onde o talento inato, passado de pais para filhos, é mais importante do que o treino rigoroso e exaustivo.
Obviamente que concordarei, mas o Cirque de Soleil eleva o circo a outro patamar.
Todo o espectáculo é pensado ao pormenor para que os espectadores sejam também levados a atravessar para um mundo paralelo, cheio de simbolismos e fantasias, vendo-se para lá das ilusões atléticas e dos fatos com lantejoulas através de uma história que é contada e que segue um enredo, assemelhando-se mais a uma peça de teatro do que a um simples número de circo. A relação é, por estas razões, muito ténue.
Esta foi a terceira vez que assisti ao vivo a um espectáculo do Cirque de Soleil. O primeiro que vi foi o “Alegria”, no Royal Albert Hall em Londres, mas nuns lugares que eram quase nos bastidores. Ainda assim foi uma emoção inesquecível. A segunda foi no Pavilhão Atlântico, o espectáculo “Delirium”, mas também aí a dimensão do espaço era demasiado desproporcional para algo que se deseja intimista e próximo das pessoas. Desta vez, numa tenda construída à medida da encenação e do espectáculo, tudo confluiu para a criação de uma ambiente mágico, enigmático e envolvente. Aliás, o que difere no acto de se assistir a um espectáculo do Cirque de Soleil ao vivo, é o facto de estarem a acontecer inúmeras coisas ao mesmo tempo, que não se percepcionam na transmissão televisiva. É esta complexidade cénica, complementada pela diversidade de artes conjugadas num só espectáculo (música, canto, teatro, circo, etc), que tornam cada experiência memorável.
Após duas horas de actuações surpreendentes a vários níveis, foi tempo de acordar e despertar mais uma vez para a cruel realidade. À saída, um pequeno item que estava para venda dizia: “One day I’ll run away and join the circus”!

Demasiado grande para ser português II


Pode não fazer fintas apanascadas e pode nem marcar muitos golos, mas nunca vi jogador tão completo, consistente e incansável como este minorca.

quarta-feira, abril 23, 2008

Demasiado grande para ser português I


Depois de 3 álbuns (comprados) e 2 concertos (presenciados) não tenho qualquer dúvida que este gajo tem talento a mais para um país tão pequeno.

segunda-feira, abril 21, 2008

[a]prenda...


Antologia de autores franceses
Edições Afrodite, Porto, 1976

Publicado pela editora que desafiou Salazar nos tempos em que nada era permitido, foi descoberto por um dos meus mentores culturais na estante poeirenta de um alfarrabista e oferecido como se fosse uma relíquia preservada exclusivamente para o meu regozijo.
Obrigado, Carlos.

terça-feira, abril 15, 2008

Com três letrinhas apenas, se escreve a palavra FHM

E com onze letrinhas apenas, se escrevem as palavras SPRING PARTY!!!


Uma ilusão...

Uma emoção...

Uma procissão...

Uma confusão...

Uma dupla...

Duas duplas...

Alçado...

Cruzado...

Em pose...

Até pró ano.

segunda-feira, abril 14, 2008

quinta-feira, abril 10, 2008

Stay away


Na primeira página do livro da Tashen intitulado “Graphic Design for the 21st Century – 100 of the World’s Best Graphic Designers” (Charlotte & Peter Fiell, 2003) está representada a imagem de um cartaz da autoria de um dos designers mais assertivos do novo século: o inglês Jonathan Barnbrook. No outdoor pode ler-se “Designers, stay away from corporations that want you to lie for them” numa colagem de recortes de pequenos anúncios de algumas das empresas mais conhecidas do mundo.
Este é o tipo de intervenções que organizações como a Adbusters(link) fomentam através de vários meios (revistas, internet, acções de guerrilha), no sentido de criar uma consciência social tanto naqueles que concebem a comunicação como naqueles que a percepcionam, seja ela de cariz comercial ou político.
No início da minha formação em design, foi-me dada a conhecer esta visão socialmente responsável exactamente através dos números da revista Adbusters. Apesar de estar muito centrada na realidade americana, bastou apenas folhear algumas páginas para perceber que o mundo da comunicação, e em particular da publicidade, não é tão irrelevante como inicalmente possa parecer. É certo que a publicidade serve para seduzir, criar fantasias e, no final das contas, vender. Mas muitas vezes tenta-se chegar ao resultado final pela via mais fácil, ou seja, através de falácias, deturpações, verdades fabricadas, incongruências e milhares de outros recursos irresponsáveis, mais ou menos subliminares, que escondem uma realidade totalmente contrária aquela que é comunicada.
Actualmente, temos o caso da Depuralina. Agora imaginem que pertencem à equipa de comunicação da empresa que quer comercializar a Depuralina e têm de comunicar um produto que toda a gente desconfia que contenha ingredientes nocivos para a saúde, para além de ser fabricada por uma empresa ilegal. Inevitavelmente, a não ser que se despedissem todos, teriam de fazer uma campanha a dizer que a Depuralina é um magnífico suplemento alimentar que ajuda a emagrecer e que, por ser tão bom, vai revolucionar o mercado.
Isto seria fácil para os gananciosos do dinheiro, os workaholics, os yesmen, os pré-destinados a presidentes ou para os bastonários dos fins que não olham a meios. Para aqueles que têm uma consciência inconformável, é como trabalhar numa cadeira eléctrica. A cada mentira, um choque eléctrico que nos aproxima do colapso. 
Ainda oiço o meu chefe a tentar incentivar o meu lado criativo: "Inventa!", ou a motivar-me para fazer um trabalho de qualidade: "Não penses, faz!"
... 
Existem sempre opções, dirão os optimistas. Liberta-te, solta-te, sai, foge, lança-te no vazio, sempre é melhor do que continuares na posição em que estás... E depois? Eu não sou o único a viver a minha vida. Há que assegurar a estabilidade acima de tudo, principalmente num país onde não existem oportunidades.
Como sempre, o meu estômago revolta-se. É o meu corpo a dizer que o meu espírito não está bem. Ao menos que algo dentro de mim se revolte...
É nestas alturas que me vem à ideia um artigo que li na referida revista Adbusters. Conta-se que um designer, que trabalhava numa empresa farmacêutica, descobriu que a empresa tinha ligações nazis. Não sendo judeu mas tendo consciência do que aquilo representava, criou uma campanha de quatro cartazes que publicitava um medicamento para as dores de cabeça. Nos cartazes, aprecia a imagem de uma pessoa que, com posturas diferentes, demonstrava dor de cabeça. Isolados, ou conjugados aleatoriamente, os cartazes mostravam apenas isso, uma pessoa com dor de cabeça. No entanto, quando a campanha foi para a rua, os cartazes foram colocados propositadamente numa ordem em que a posição do corpo e dos braços da pessoa formavam as letras da palavra “NAZI”. Com base nessa campanha, a empresa foi investigada e, pouco tempo depois, abriu falência.
No mínimo, inspirador.

terça-feira, março 25, 2008

Páscoa: tudo menos Santa


No culminar de quatro dias, onde a realidade esteve constantemente desfocada e onde houve tempo para umas sessões de kuduro, jogo das pombas, no-limits poker, stip-snooker e danças em tronco nu no balcão do bar-saloon do Manel (esse granda maluco!!!), destaco a frase proferida por uma adorável senhora de 92 anos, à mesa, no almoço de Sábado:
“Quando se deu o 25 de Abril, corri todos os cinemas e vi todos os filmes pornográficos que havia para ver. Pus os meus óculos escuros e fui ver o Garganta Funda!”
Boquiaberto e ébrio de admiração, aplaudi.

quinta-feira, março 13, 2008

Would I be happy in heaven?


Today was a perfect day. The weather was perfect. The warmth in the air was perfect. The people in the street were smiling. The birds in the sky were singing. The trees, the grass and the flowers were reaching out to our inner nature. Everything looked fucking perfect. Happiness was all over the place. It was Spring time in Winter.
It was like heaven. Perfection was all around.
And in life, is that enough?
Yes. No doubt. It is, if you consider living as the ability to breathe continuously.
But, if you believe life to be an adventure, a succession of challenges, a time to discover what’s inside you and what surrounds you, fuck no! I repeat: fuck no!
But you must have majestic balls to relinquish heaven. You must know that, if you don’t want heaven now, you won’t have heaven ever. So, you must make a choice. And the choice is to cut your fucking wings and give the big fucking finger to the Holy Spirit. Then, it’s up to you. Only you can make the sun shine, the wind blow, the rain fall, the birds sing and the flowers grow. Only you can make a perfect day be perfect.
But then, you ask, what the fuck is perfection?
Perfection is in your heart, I say. What is perfect for you may not be perfect for me. So why the fuck should there only be one heaven?
That’s the point, motherfucker, that’s the mother fucking point.

terça-feira, março 11, 2008

O sexo exótico


Ontem tive uma experiência. Não me perguntem se foi boa ou má. Foi uma experiência.
Vi este filme:

Em português: "Sabor a melancia".
O que posso eu dizer?...
Tinha curiosidade em ver e, por pouco, a curiosidade matava o gato.
Diferente de todos os filmes que já vi até hoje (e já vi para cima de bastantes...), esta é uma realidade que deverá fazer muito mais sentido se tivermos fumado umas coisas para rir. Mas em dose de cavalo.
Que bom é haver este outro extravagante planeta, o asiático, dentro do nosso, tão certinho, para que seja possível assistirmos, sem culpa, a um modus criativus de estirpe extraterrestre.
Com planos mais parados que os filmes do Manoel Oliveira, esta esquizofrenia de 109 minutos mostra-nos o amor em tempo de seca. Sem água nas torneiras, a fruta mais húmida é sem dúvida a melancia. Rija por fora, suculenta por dentro. Verde por fora, ruborizada por dentro. Etc. Etc....
As posições da câmara fazem com que todos os planos sejam representações vaginais, sejam elas uma ponte curvada, o eixo de um cruzamento, o recanto de um quarto, um beco muito estreito, etc, etc....
A trama gira à volta da realidade sexual, seja ela real (não é tão redundante como parece), ficcional (o mundo da pornografia) ou fantástica (com números musicais dignos do submundo da broadway). Com sexo semi-explícito, mas muito revelador, este é definitivamente um filme para não agradar a ninguém. Mas é um segredo que sabe bem guardar. Que permanece connosco depois do seu orgásmico final. Que nos faz sorrir sempre que nos vem à memória. E suspeito que será algo recorrente durante os próximos anos...

segunda-feira, março 03, 2008

This is the one...


A tal música*:

cold and frosty morning there's not a lot to say
about the things caught in my mind
and as the day is dawning my plane flew away
with all the things caught in my mind

and I don't wanna be there when you're coming down
and I don't wanna be there when you hit the ground

so don't go away
say what you say
but say that you'll stay
forever and a day in the time of my life
'cause i need more time
yes, i need more time, just to make things right

damn my situation and the games i have to play
with all the things caught in my mind
damn my education i can't find the words to say
about the things caught in my mind

and I don't wanna be there when you're coming down
and I don't wanna be there when you hit the ground

so don't go away
say what you say
but say that you'll stay
forever and a day in the time of my life
'cause i need more time
yes, i need more time, just to make things right

me and you what's going on?
all we seem to know is how to show the feelings that are wrong

so don't go away
say what you say
but say that you'll stay
forever and a day in the time of my life
'cause i need more time
yes, i need more time, just to make things right

and don't go away
say what you say
but say that you'll stay
forever and a day in the time of my life
'cause i need more time
yes, i need more time, just to make things right (x3)

so don't go away

*Oasis
Don't go away

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

O que as gatas lêem...


Sempre tive curiosidade em saber qual o conteúdo das revistas femininas. Não estou a falar das que falam das telenovelas e das celebridades. Não me refiro à chamada "imprensa cor-de-rosa", refiro-me à imprensa presumidamente direccionada para as gatas sofisticadas. Qual é a felina que não revela todo o seu orgulho quando diz que é leitora assídua da Vogue, da Cosmopolitan, ou de outras do género? Sim, porque essas não falam de assuntos mesquinhos e não contemplam fotos de paparazzis. Essas apresentam apenas o lado glamouroso da vida, as grandes produções da moda, os artigos sobre spas, como emagrecer em dez dias, como ser bela em dez minutos e, sobretudo, tudo o que é possível saber sobre sexo! E é aí que até o maior leão fica com um pata atrás.
Quando comparadas com uma revista direccionada para um público masculino da mesma estirpe sofisticada (como por exemplo a Men's Health), nota-se um desfasamento em termos de quantidade de artigos sobre sexo que é digna de fazer qualquer macho latino corar em frente a uma intrépida gatinha.
Tudo o que diga respeito ao sexo é debatido e esmiuçado ao pormenor nas revistas femininas, enquanto as revistas masculinas se perdem em artigos sobre carros, aventuras nos Alpes, desportos, novos cosméticos metrossexuais e receitas para surpreender a mulher amada. Em termos numéricos, as revistas masculinas devem ter 30% de artigos sobre sexo enquanto as revistas femininas devem ultrapassar os 80%.
Isto é assustador para quem está constantemente ao ouvir as felinas a dizer: “Vocês machos só sabem falar sobre sexo!” Será que depois de lerem uma revista destas ficam fartas do assunto? Será que gostam de ler mas não gostam de falar (as palavras ditas ganham outra importância...)? Será que quando lêem parece um assunto distante e quando falam parece um assunto íntimo? Ou será que simplesmente preferem reprimir as suas opiniões para não parecerem demasiado promíscuas?
E a que se dará este fenómeno? Que necessidade será esta de explorar um território tão pouco explorado em conversas casuais? Se saber é poder, será um sistema de defesa? Será uma curiosidade intrínseca ou luxúria não assumida?
É sabido que as fêmeas recolhem dentro de si inúmeros segredos e silêncios, mas desta forma taciturna vão guardando artilharia para dissecar qualquer estratégia de sedução masculina.
É por isso que, desde Janeiro, a minha leitura mensal tem sido esta:

Gosto de perceber o que as felinas falam entre si, o que revelam, o que exploram.
As possibilidades são infinitas.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Olhó Óscar!


Todos os anos faço a maratona dos Óscares. Não me lembro quando comecei esta tradição mas é uma noite para a qual eu treino ao longo do ano, qual Carlos Lopes nos Jogos Olímpicos do Sofá. Devo dizer que, de todos os anos que passei as preciosas madrugadas embuído do glamour de Hollywood com pantufas nos pés, este foi o ano em que mais vezes pensei: "Foda-se, quem é que se lembrou de fazer a merda da gala ao Domingo!"
Isto porque, ainda com os guionistas todos ressacados da greve, não houve muitos momentos de entretenimento na verdadeira acepção da palavra. Resumidamente, uma seca!
Com os vencedores já mais que escolhidos (excepção a pequena surpresa na Melhor Actriz...

...que me fez abrir a pestana por volta das quatro da manhã), foi tudo altamente monótono, sem rasgos de criatividade e, principalmente, sem pontos de referência para se poder fazer inveja aos amigos que, durante essas horas, dormiam o sono dos justos: "É pá, não viste aquela cena, rebéubéubéu, paradais ao ninho...!"
Ou seja, uma gala sem gala, nem glamour, nem vida, nem nada. Tudo culminando com a enorme carga de bazófia demonstrada pelos irmãos Cohen ao receberem, de rajada, os Óscares para Melhor Realização e Melhor Filme.
Dito isto, e para verem até que ponto eu andava à procura de algo surpreendente no meio daquela alarvidade, destaco aquela que foi, pura e simplesmente, a rainha da noite: Helen Mirren!

Como diziam Will Ferrell e Jack Black nos Óscares do ano passado: "Tonight, I'd do Helen Mirren!"

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Vedeta?


Esta é a série que actualmente me faz ficar acordado até depois da uma da manhã ao Domingo a ver a Sic.
É mais do que genial, é genital!

Um momento...


Ultimamente tenho-me sentido melancólico. Os dias passam devagar. Poucos são os momentos de luminosidade. Parece que as nuvens cinzentas, o nevoeiro, a chuva, a noite que se põe cedo, tudo isto se prolonga para dentro de mim.
Até mesmo aquilo que me faz feliz tem tido o condão de me deprimir.
Digo isto porque hoje concluí que a vida, para ser minimamente estimulante, tem de ter eixos. E por eixos quero dizer pontos de viragem, momentos onde algo acontece e nos dá uma nova perspectiva daquilo que nos rodeia, do nosso mundo, de nós mesmos. Sinto que são estes eixos que nos definem enquanto pessoas e que quantos menos eixos, menos aprendemos, menos realizamos aquilo que fazemos, aquilo que nos fazem, aquilo que deixamos de fazer. Uma vida que siga o seu curso sem grandes pontos de viragem não é uma vida plena. Acredito que haja pessoas que vivem bem com isso, que se julgam mais felizes porque nada de extraordinário lhes acontece, porque tudo corre segundo a normalidade, mas eu preciso de check-points onde possa parar, ver, raciocinar e sentir.
Hoje pensei nos eixos minha vida.
Tive alguns ao longo da minha vida. Alguns que foram realmente importantes, outros aos quais dei a importância que eles na realidade não tiveram. E muitas vezes é isso que faço. Ficciono a minha realidade para que se torne mais extraordinária do que realmente é. Não porque a minha vida não seja interessante, mas porque não consigo deixar de desejar que fosse mais. Principalmente a nível profissional.
Hoje pensei no José Luís Peixoto. Um escritor quase da minha idade que escreveu o seu primeiro livro quando a sua vida rodou sobre o eixo da morte do seu pai. É óbvio que nem todos os escritores têm de passar por uma experiência do género para escreverem o seu primeiro livro, mas este é um caso que demonstra o que pretendo dizer. A carreira do José Luís Peixoto começou quando teve de escrever sobre um eixo trágico. O seu talento já seria certamente inato, mas foi esse acontecimento que o despoletou e que mudou a sua vida, dando-lhe um novo rumo e incentivando a mudança.
Obviamente que um eixo pode também ser positivo. Um novo amor, uma viagem, uma alteração da rotina, uma experiência inesperada, um evento... Muito escritores escrevem sobre algo que ainda procuram, que desejariam, sobre um futuro utópico, sobre um passado omnipotente ou sobre nada (a maior parte, escreve sobre nada), mas não é com esses que me identifico. Gosto de sentir quando escrevo, gosto de escrever sobre os sentimentos, sobre ser-se humano, sobre a vida, os desejos, as fantasias e tudo o que nos emociona.
Cada vez me interesso menos pelo futuro ou pelo passado. Vivo no cliché do presente e vivo a tentar torná-lo o mais magnífico possível. Não há nada mais deprimente do que acomodação, a conformidade... mas na maior parte das vezes falta-nos a coragem, principalmente quando já não vivemos a nossa vida apenas para nós próprios. É nesse sentido que a felicidade pode também contribuir para uma depressão ainda maior.
A minha mente vive uma vida diferente da minha. Na minha mente sou um inconsequente, promíscuo, intransigente, prepotente, curioso, libertino e vagabundo que ama o acaso, a descoberta, a inércia, a sedução, o sexo e os pequenos segredos que pairam nos recônditos cantos da mente humana.
E assim permaneço no submundo da minha consciência.

(no anúncio: “Now I've done everything.” Live the interesting life. Men's Journal.)

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

O momento que se segue...


O mundo da publicidade sempre me fascinou (do verbo fascinar, do latim fascinare, dar olhado, enfeitiçar, hipnotizar, alucinar, deslumbrar, seduzir, cativar, atrair irresistivelmente, iludir...)! Não só pela recorrente simbiose das palavras com as imagens mas, principalmente, por essa simbiose ter um objectivo: vender um produto. Ao contrário da arte, onde a função depende do artista, na publicidade, a função depende do produto. E esse é um desafio que, quando feito com criatividade, aguça a inteligência.
Vai daí, através deste blog descobri este curioso site que compila anúncios como o que se segue:

Os meandros da publicidade são deveras complexos. Quando o factor subliminar (mensagem construída de forma a atingir o subconsciente do consumidor) é capaz de fazer com que uma campanha tome os mais diversos rumos e/ou atinja aos mais diversos públicos-alvo de uma forma surpreendente, é como criar uma obra-prima. Muito dirão que a publicidade é um subterfúgio da sociedade moderna, um apelo sem alma ao consumismo ou, como Douglas Adams visionou, "algo de profundamente dispensável" e eu direi: "É pá, isso é mais que certo! Não precisamos desta merda para nada!" Mas, por vezes, tão raro como um eclipse solar, uma campanha é capaz de contribuir para algo mais do que apenas a venda de um produto. Uma campanha pode divertir, pode emocionar e, ocasionamente, despertar a nossa mente para algo tão importante como a nossa própria condição humana.
Até decidir escrever um livro ou conseguir viver à custa de guiões, será no seio desta selva criativa que irei deambular...