Deixei de usar relógio. Assim como deixei de usar bonés, ténis de marca, roupa de marca, ou qualquer outra coisa que chamasse a atenção, o que resultou num melhoramento substancial do meu estilo próprio e afastou qualquer tipo de interesse por parte de meliantes, já que toda a gente sabe que eles são, na verdade, uns betinhos de merda. Deixei até de andar com dinheiro nos bolsos e qualquer coisa que ostentasse algum valor.
Depurei-me de tantos acessórios que, a última vez que fui abordado, perguntaram-me: "Tens horas?". Eu: "Não". Ele: "Tens trocos?". Eu: "Não." Ele: "Fdx, também não tens nada." E eu senti-me feliz por não ter nada.
Lições de vida.
Vai daí, passados quase 10 anos desde o último evento social com bandidos, voltei a considerar ter um relógio. No entanto, olhando à minha volta, vejo as horas no telemóvel, no rádio do carro, no computador, no leitor de DVD (sim, sei acertar esses relógios), no relógio do quarto, da cozinha e até na casa de banho. Perguntei-me: para quê ter mais um relógio?
A resposta tinha de ser de outro mundo (e chegou hoje às minhas mãos):
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A mais valia de ter um relógio no pulso é que não seja apenas um relógio.
Sim, sou geek, and proud of it!